Personagens Bíblicos
Herodes Antipas
Filho de Herodes, o Grande, tetrarca da Galileia e da Pereia entre 4 a.C. e 39 d.C.; ordenou a morte de João Batista e interrogou Jesus durante a Paixão.

- Tipo
- Rei
- Testamento
- Novo Testamento
- Referência bíblica
- Marcos 6,14-29; Lucas 23,6-12
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Herodes Antipas foi filho de Herodes, o Grande, e de sua esposa Maltace, e irmão inteiro de Arquelau. Educado em Roma junto aos irmãos, recebeu por testamento do pai e com confirmação do imperador Augusto a tetrarquia da Galileia e da Pereia — "tetrarca" significa literalmente "governante da quarta parte" —, cargo que exerceu de cerca de 4 a.C. até 39 d.C. Governou, portanto, durante todo o ministério público de Jesus, e o Novo Testamento o chama tanto "Herodes, o Tetrarca" quanto "rei Herodes".
Sua memória histórica está sobretudo ligada à morte de João Batista. Os evangelhos sinóticos narram que o Batista censurou publicamente sua união ilícita com Herodíades, mulher de seu meio-irmão Filipe, e que o tetrarca o mandou prender. Marcos 6,14-29 relata a versão segundo a qual, durante um banquete, a filha de Herodíades — Salomé, na tradição — dançou e agradou a Herodes, que lhe prometeu sob juramento o que ela pedisse; instigada pela mãe, ela pediu a cabeça do Batista, e o tetrarca, constrangido pela promessa feita diante dos convivas, mandou decapitá-lo na prisão. O historiador judeu Flávio Josefo, em Antiguidades Judaicas 18.116-119, confirma a execução de João por ordem de Antipas, situando o cárcere e a morte na fortaleza de Maquerontes (Machaerus), junto ao Mar Morto, e explicando o fato pela popularidade do Batista junto ao povo.
Além do conflito com João, seu casamento com Herodíades acrescentou um agravo pessoal às antigas disputas territoriais com Aretas IV, rei nabateu e pai de sua primeira esposa, repudiada. Esse conflito desembocou numa guerra que se revelou desastrosa para Antipas, com vitórias árabes por volta de 36 d.C. — episódio que, segundo Josefo, o povo encarou como castigo divino pela morte do Batista. Antipas foi também o fundador de Tiberíades, cidade construída nas margens do lago da Galileia e batizada em honra do imperador Tibério.
Nos evangelhos, aparece ainda no julgamento de Jesus. Lucas 23,6-12 conta que Pilatos, ao saber que Jesus era galileu e estava, portanto, sob jurisdição de Antipas, o enviou ao tetrarca, que se achava em Jerusalém para a festa. Herodes, que há muito desejava vê-lo e esperava vê-lo operar algum milagre, o interrogou longamente, mas Jesus nada lhe respondeu; ridicularizado e vestido com uma túnica esplêndida, foi devolvido a Pilatos, e os dois governantes, antes inimigos, tornaram-se amigos naquele dia. Em Lucas 13,32, Jesus refere-se a ele com desprezo como "essa raposa".
Seu fim foi a deposição. Em 39 d.C., instigado por Herodíades, denunciou seu sobrinho Agripa I por conspiração contra o imperador Calígula; Agripa, porém, amigo pessoal de Calígula, inverteu a acusação. O imperador confiscou os territórios e o tesouro de Antipas e o exilou na Gália — Josefo menciona Lugdunum, e há duas cidades francesas que disputam ter sido o local, Lyon e Saint-Bertrand-de-Comminges. Herodíades o acompanhou no exílio, onde ele morreu. O historiador Cassio Dio (59.8) sugere que Calígula o teria mandado matar. Seus domínios foram anexados à tetrarquia de Agripa I.
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