Pecados
Presunção
Pecado contra a virtude teologal da esperança pelo qual o homem conta com a salvação sem méritos ou com o perdão sem conversão, presumindo das próprias forças ou da misericórdia divina. Santo Tomás o trata na Suma Teológica II-II, q. 21, e o Catecismo o adverte nos números 2091-2092.
- Virtude oposta
- Esperança
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A presunção (em latim praesumptio) é um dos dois vícios que se opõem diretamente à virtude teologal da esperança, juntamente com o desespero. Santo Tomás de Aquino dedica-lhe a Questão 21 da Segunda Parte da Segunda Parte da Suma Teológica, depois de tratar do desespero na Questão 20. Enquanto o desespero consiste em deixar de esperar a salvação, a presunção consiste em esperar de Deus algo que não é digno de Deus esperar: o perdão sem arrependimento e a glória sem méritos.
O Catecismo da Igreja Católica, nos números 2091 e 2092, insere a presunção entre os pecados contra o primeiro mandamento, a par do desespero. Distingue expressamente duas espécies: ou o homem presume de suas próprias capacidades, esperando salvar-se sem a ajuda do alto, ou presume da onipotência ou da misericórdia de Deus, esperando obter o perdão sem conversão e a glória sem mérito (cf. CIC 2092). Nesta segunda forma, a mais sutil, o pecador invoca a misericórdia divina para justificar o próprio pecado.
São Tomás observa que a presunção implica um ato desordenado do apetite e procede de um conceito falso: assim como é falso que Deus não perdoe os que se arrependem, também é falso que conceda o perdão aos que perseveram no pecado ou a glória aos que deixam de praticar o bem (cf. II-II, q. 21, a. 2). A desordem, portanto, não está em esperar demais, mas em esperar de Deus o que não convém à sua santidade.
Na tradição moral, a presunção aparece frequentemente associada à soberba, já que o homem que presume de si tem de si mesmo estima exagerada, chegando a pensar que, mesmo pecando, não será punido. O Aquinate compara sua gravidade à do desespero e nota que a presunção é pecado menor, na medida em que é mais próprio de Deus ter misericórdia e compadecer-se, por causa de sua infinita bondade, do que punir.
A virtude oposta é a esperança: a confiança filial que deseja e espera de Deus a vida eterna e os meios de alcançá-la, fundada não nas próprias forças, mas na fidelidade e na misericórdia divinas, e que não dispensa a conversão nem o mérito.
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