Orações
Coroa Franciscana (Terço dos Sete Gozos de Maria)
Devoção franciscana de sete dezenas de Ave-Marias, meditando sete alegrias marianas ligadas à vida de Cristo, com 72 Ave-Marias ao todo.
(Sete dezenas de Ave-Marias, cada uma meditando um dos "sete gozos":) 1. A Anunciação 2. A Visitação 3. O Nascimento de Jesus 4. A Adoração dos Magos 5. O reencontro do Menino Jesus no Templo 6. A aparição do Ressuscitado a Maria 7. A Assunção e Coroação de Maria como Rainha do Céu (Ao final, acrescentam-se duas Ave-Marias, totalizando o número tradicional de setenta e duas, em referência aos anos de vida de Maria segundo a tradição.)

- Uso
- Devoção franciscana, equivalente ao terço
- Origem
- Tradição franciscana, remontando ao século XV
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Sobre esta oração
A Coroa Franciscana — também chamada Terço Seráfico, Rosário Franciscano ou Terço dos Sete Gozos de Nossa Senhora — organiza-se em sete dezenas de Ave-Marias, em vez das cinco do Rosário tradicional. A cada dezena medita-se um dos \"sete gozos\" da Virgem Maria: a Anunciação, a Visitação, o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos, o reencontro do Menino no Templo, a Ressurreição de Cristo e a Assunção e Coroação de Maria. A devoção desenvolveu-se no início do século XV, na Itália, entre os franciscanos; seus temas guardam semelhança com os «Gaudes» latinos do século XII, louvores que convidavam Maria a alegrar-se pelos favores recebidos de Deus.
A origem está vinculada a uma tradição relatada pelo historiador franciscano irlandês frei Lucas Wadding (1588-1657), que data o fato no ano de 1422. Segundo essa narrativa, em Assis, a Virgem apareceu a um noviço franciscano chamado Jaime. Quando criança, ele tinha o costume de oferecer diariamente a Maria uma coroa de rosas; ao entrar na Ordem dos Frades Menores, afligiu-se por não poder mais fazê-lo. Maria teria vindo consolá-lo e lhe mostrou outra oferta diária: rezar sete dezenas de Ave-Marias, meditando em cada uma as sete alegrias de sua vida. Conta ainda a tradição que o diretor dos noviços o viu orando acompanhado de um anjo, que tecia uma coroa de rosas intercalando um lírio de ouro a cada dezena; ao término da oração, o anjo depôs a coroa sobre Jaime. Ouvida a explicação, a devoção difundiu-se por toda a família franciscana.
A estrutura numérica é significativa: às sete dezenas (70 Ave-Marias) acrescentam-se duas Ave-Marias finais, totalizando 72, número que comemora os 72 anos que, segundo a tradição, Maria teria vivido na terra. As sete dezenas não precisam ser rezadas de uma só vez. Em tempos penitenciais, como a Quaresma, os sete gozos podem ser substituídos pelos sete dolores de Maria. A devoção é especialmente popular entre franciscanos, cistercienses e as Anunciadas de Santa Joana de França.
Um dado frequentemente citado é o de que a Coroa Franciscana recebeu grande número de indulgências concedidas por vários pontífices ao longo dos séculos, chegando a ser considerada uma das devoções mais indulgenciadas da Igreja Católica. Importante notar que, para receber as indulgências associadas, não era exigido que se usasse um rosário especificamente franciscano. A coroa difundiu-se ainda como devoção de grupos, irmandades e famílias ligadas à espiritualidade ser áfica, permanecendo até hoje entre as formas tradicionais de piedade mariana.
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