Catecismo · Parte 42
Quarta parte: A oração cristã
A oração como dom, aliança e comunhão, suas três expressões e o combate da oração; e o comentário ao Pai-Nosso, «o resumo de todo o Evangelho».

- Parte
- 42
- Parágrafos
- CIC 2558-2865
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A quarta e última parte do Catecismo (nn. 2558-2865) apresenta a oração como a «relação viva e pessoal com o Deus vivo e verdadeiro» que brota da fé professada, celebrada e vivida nas três partes anteriores. Abre com uma definição clássica, retomada de São João Damasceno: «A oração é a elevação da alma para Deus ou o pedido feito a Deus de bens convenientes» (n. 2559), completada pela descrição de Santa Teresa d'Ávila: «Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o céu, é um grito de gratidão e de amor, tanto no meio da tribulação como no meio da alegria.» O texto insiste que a oração é antes dom de Deus que obra humana: «o homem é um mendigo de Deus» (n. 2559), e que a humildade é o seu fundamento, pois «não sabemos o que havemos de pedir para rezarmos como deve ser» (Rm 8,26).
A Primeira Seção, «A oração na vida cristã» (nn. 2558-2758), organiza-se em três capítulos. O primeiro percorre a Revelação da oração: no Antigo Testamento, nas figuras de Abraão, Jacó, Moisés, Davi e os profetas (nn. 2568ss); na «plenitude do tempo», na oração filial de Cristo e na oração da Virgem Maria e do «Fiat» (nn. 2598ss); e no tempo da Igreja, distinguindo as cinco formas fundamentais — bênção e adoração, petição, intercessão, ação de graças e louvor (nn. 2623ss). O segundo capítulo, «A tradição da oração» (nn. 2650-2696), trata das «fontes» (a Palavra de Deus, a Liturgia, as virtudes teologais) e do «caminho» da oração, com os guias espirituais. O terceiro, «A vida de oração» (nn. 2697-2758), expõe as três expressões conservadas pela Tradição — a oração vocal, a meditação e a oração contemplativa, que «têm um traço fundamental comum: o recolhimento do coração» (n. 2699) — e descreve o combate da oração com as suas dificuldades: a distração, a secura, a acedia e a «humilde vigilância do coração», concluindo pela confiança filial.
A Segunda Seção, «A oração do Senhor: 'Pai nosso'» (nn. 2759-2865), é um comentário sistemático à oração ensinada por Jesus. O Catecismo recorda que Tertuliano a chamou de breviarium totius Evangelii — «resumo de todo o Evangelho» (n. 2761) — e que a Didaché, no fim do século I, já prescrevia rezá-la três vezes ao dia. O comentário percorre o prólogo («Pai nosso, que estais nos céus»), no qual se sublinha o «ousar aproximar-se com toda a confiança» do Pai, e depois as sete petições, uma a uma, fechando com a doxologia final («Porque vosso é o Reino, o poder e a glória para sempre»), cuja ausência em algumas tradições manuscritas o Catecismo registra.
O critério estrutural da parte inteira está explicitado no n. 2857: as três primeiras petições têm por objeto a glória do Pai (a santificação do Nome, a vinda do Reino, o cumprimento da sua vontade), e as quatro últimas apresentam-Lhe as nossas necessidades (o pão, o perdão, a vitória sobre a tentação e o Mal). É a parte que responde à pergunta sobre como falamos com Deus aquilo que cremos, celebramos e vivemos.
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