Orações
Consagração a Nossa Senhora (fórmula breve)
Fórmula breve de entrega pessoal a Maria, expressão da espiritualidade de "total consagração" sistematizada por São Luís Maria Grignion de Montfort no "Tratado da Verdadeira Devoção".
Ó Senhora minha, ó Mãe minha, eu me ofereço todo a vós. E, em prova de minha filial afeição, vos consagro neste dia meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração, todo o meu ser sem reserva. Já que assim sou vosso, ó boa Mãe, guardai-me e defendei-me como coisa e propriedade vossa. Amém.

- Origem
- Tradição de espiritualidade mariana sistematizada por São Luís de Montfort (século XVII-XVIII)
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Sobre esta oração
A \"Consagração a Nossa Senhora\" aqui apresentada é uma fórmula breve de entrega pessoal a Maria — o fiel oferece a ela «os olhos, os ouvidos, a boca, o coração, todo o ser sem reserva». A prática remonta a uma corrente espiritual de longa duração: a ideia de se fazer «servo» ou «escravo» de Maria já aparece em casos documentados ao longo da Idade Média, e a forma pública e sistemática da \"total consagração\" cristalizou-se no século XVII, ligada sobretudo à figura de São Luís Maria Grignion de Montfort.
Luís Maria Grignion nasceu a 31 de janeiro de 1673 em Montfort-sur-Meu, na Bretanha, em família profundamente cristã, e foi ordenado sacerdote por volta dos 27 anos. Missionário popular, pregou em meio à crise religiosa da França marcada pela controvérsia jansenista, e em 1706 peregrinou a pé até Roma, onde recebeu do Papa Clemente XI o título de \"Missionário Apostólico\". Morreu a 28 de abril de 1716, com cerca de 43 anos. Sua obra central sobre a matéria — o «Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem» (em francês, «Traité de la vraie dévotion à la Sainte Vierge») — foi redigida nos últimos anos de sua vida, provavelmente por volta de 1712. Nela Montfort afirma que «a mais perfeita consagração a Jesus Cristo não é outra coisa senão uma perfeita e inteira consagração de si mesmo à Bem-aventurada Virgem».
A história do próprio manuscrito é notável e acrescenta um dado pouco conhecido: o Tratado permaneceu oculto por cerca de 130 anos. Supõe-se que Montfort o tenha confiado aos cuidados do bispo de La Rochelle; a obra só foi encontrada nos arquivos dos padres monfortinos em 1842 e publicada pela primeira vez em 1843. O autor previra, no próprio texto, a hostilidade e o esquecimento que cercariam o escrito. A devoção difundiu-se amplamente a partir do século XIX, servindo de inspiração a numerosas comunidades.
A fórmula breve aqui recolhida é uma das versões curtas mais usadas em devoção pessoal diária, distinta de outras fórmulas longas e de preparações de vários dias que costumam anteceder a consagração. O itinerário espiritual de Montfort teve eco duradouro no magistério e na piedade recentes: o Papa João Paulo II, que inscreveu o santo no Calendário geral da Igreja em 1996, adotou como lema pontifício o «Totus tuus» («Todo teu»), extraído justamente dessa espiritualidade de consagração total a Maria. São Luís Maria Grignion de Montfort foi beatificado por Leão XIII em 1888 e canonizado por Pio XII em 1947.
Fontes
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