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Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
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Música Sacra · Tema 8

Adoro Te Devote

Hino eucarístico de Tomás de Aquino, meditação sobre a fé na presença real de Cristo sob as espécies do pão e do vinho.

Adoro Te Devote
Idioma
latim

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"Adoro Te Devote" ("Devotamente vos adoro") é um hino de adoração eucarística da tradição católica, composto por Tomás de Aquino (c. 1225–1274) no século XIII, originalmente em latim. Ao contrário dos hinos que o Angélico compôs para ofício litúrgico da solenidade de Corpus Christi, este texto não foi escrito para uma função litúrgica e não aparece nos livros litúrgicos do período; estudiosos consideram que foi redigido por volta de 1260 (segundo outros, por ocasião da instituição da festa, em 1264) para uso privado, talvez para a ação de graças após a Missa. Entre todas as composições poéticas de Tomás, a crítica costuma apontar o Adoro Te Devote como a mais feliz e a mais lírica, composta no fim de sua vida.

O hino é uma meditação sobre o ato de fé exigido pela Eucaristia. A estrofe mais célebre resume essa teologia: "a vista, o tato, o sabor em ti se enganam, mas o ouvido basta para crer com firmeza" — isto é, apenas a palavra revelada de Cristo, ouvida com fé, garante a presença real ali onde os sentidos percebem apenas pão e vinho. O texto reflete a doutrina da transubstanciação e a espiritualidade eucarística que Tomás desenvolveu no contexto da festa de Corpus Christi, cuja instituição se liga ao fervor eucarístico difundido no norte da Europa, em especial na Bélgica, a partir de santa Juliana de Cornillon.

O contexto desses hinos está na bula Transiturus de hoc mundo, promulgada em 11 de agosto de 1264 pelo papa Urbano IV, que instituiu para toda a Igreja latina a festa do Corpus Christi — a primeira festa universal sancionada por um papa na história do rito latino. A Urbano IV, que ele conhecera quando era arquidiácono em Liège, encarregou Tomás de compor o ofício da nova festa, chamado Sacerdos in aeternum; dele fazem parte o Pange lingua (hino das Vésperas), o Sacris solemniis (Ofício das Leituras), o Verbum supernum (Laudes) e a sequência Lauda Sion. O Adoro Te Devote não pertence a esse conjunto: é composição paralela e independente.

Ao longo dos séculos o hino entrou no culto público. Encontra-se no Missal Romano como oração de ação de graças após a Missa; a Catholic Encyclopedia registra, para os sacerdotes, indulgência de cem dias, mais tarde estendida a todos os fiéis por decreto de 17 de junho de 1895; a Wikipedia (en) menciona ainda que em 13 de dezembro de 1849 o papa Pio IX estabeleceu um período de três anos de indulgência, e que a indulgência parcial permanece em vigor mesmo depois da supressão da oração do Missal de 1969. O texto foi traduzido para várias línguas e musicado por compositores como César Franck e Maurice Duruflé, sendo utilizado em missas votivas do Santíssimo Sacramento, horas santas e outras devoções eucarísticas. A tradição espiritual católica o recomenda como meditação pessoal diante do Santíssimo exposto.

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