Doutores da Igreja
Santo Tomás de Aquino
Frade dominicano do século XIII, autor da «Suma Teológica»; proclamado Doutor da Igreja por Pio V em 1567 e chamado Doutor Angélico.

- Título
- Doutor Angélico (Doctor Angelicus)
- Proclamação
- 1567
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Tomás nasceu em Roccasecca, no reino de Nápoles, por volta de 1225, em família nobre. Contra a vontade dos parentes — que por quase um ano o mantiveram em cativeiro para dissuadi-lo — entrou na Ordem dos Pregadores (dominicanos) por volta de 1244. Estudou em Paris e em Colônia sob Santo Alberto Magno e ensinou em Paris, Roma e Nápoles, num dos períodos mais agitados do debate universitário parisiense: combateu o averroísmo latino de Siger de Brabante e a tese da «dupla verdade», sobretudo no «De unitate intellectus contra Averroistas» (1270), defendendo a harmonia entre fé e razão e a imortalidade da alma individual.
Sua obra principal é a «Suma Teológica», exposição ordenada da doutrina cristã em três partes (mais um Suplemento acrescentado por discípulos), distribuídas em 614 questões e cerca de 3.125 artigos, que articula a fé com a filosofia, em especial com Aristóteles, a quem chama «o Filósofo». A obra ficou inconclusa na parte sobre os sacramentos. Escreveu também a «Suma contra os Gentios» (quatro livros, 1259-1265), comentários à Escritura e a Aristóteles, além de uma extensa produção ligada à liturgia.
A tradição atribui-lhe os textos litúrgicos da solenidade do Corpus Christi, instituída pela bula «Transiturus hoc mundo» do Papa Urbano IV (1264): os hinos «Pange lingua» (com a estrofe «Tantum ergo»), «Lauda Sion» (sequência da Missa), «Verbum supernum prodiens» (com o «O salutaris hostia») e o «Adoro te devote». Quanto a este último, porém, a autoria é discutida: estudiosos do século XX, como Eschmann, observaram que nenhum manuscrito dos primeiros cinquenta anos após a morte de Tomás o atribui a ele, embora a tradição o considere seu autor — a questão permanece aberta.
Morreu a caminho do Concílio de Lyon, na abadia de Fossanova, em 7 de março de 1274. Foi canonizado em 1323 por João XXII. Em 11 de abril de 1567, o Papa São Pio V, na esteira do Concílio de Trento, proclamou-o Doutor da Igreja pela bula «Mirabilis Deus» e equiparou sua festa à dos grandes Padres latinos — o que lhe valeu o título de «Doutor Angélico» (Doctor Angelicus). Leão XIII, na encíclica «Aeterni Patris» (1879), recomendou seu estudo nas escolas católicas e declarou-o «Doutor Comum» da Igreja; o Concílio Vaticano II o menciona como mestre na formação teológica. Sua memória litúrgica é celebrada em 28 de janeiro.
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