Doutores da Igreja
Santo Agostinho de Hipona
Bispo de Hipona (354-430), um dos quatro primeiros Doutores da Igreja latina; autor das «Confissões» e de «A Cidade de Deus», recebeu da tradição o título de «Doutor da Graça».

- Título
- Doutor da Graça (Doctor Gratiae)
- Proclamação
- 1298
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Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste, no norte da África romana (hoje Souk-Ahras, na Argélia), em 13 de novembro de 354, filho de Patrício, pagão, e de Santa Mônica, cujas orações marcaram sua vida. Passou por Cartago, foi professor de retórica em Milão (384) e, antes da conversão, aderiu ao maniqueísmo e depois ao neoplatonismo. Em agosto de 386, num jardim em Milão, ouviu o refrão infantil «tolle lege» («toma e lê»); abrindo a Carta aos Romanos (13, 13-14), converteu-se. Foi batizado por Santo Ambrósio na vigília pascal de 387. Ordenado sacerdote em 391, foi feito Bispo de Hipona Régia em 395, e governou essa sé por cerca de trinta e cinco anos.
Duas grandes controvérsias consumiram grande parte de sua energia. A donatista, nascida de divisões surgidas nas perseguições, foi debatida e condenada no Concílio de Cartago em 411: contra a tese de que a validade do batismo dependeria da dignidade do ministro, Agostinho afirmou que é Cristo quem administra o sacramento, e que a Igreja, neste mundo, contém trigo e joio. A pelagiana, sobre a graça e o pecado original, contrastou sua doutrina da necessidade absoluta da graça divina com a posição sinergista — o que lhe valeu o título de «Doctor Gratiae».
Sua obra é vastíssima. As «Confissões», escritas entre 397 e 400, são uma narrativa autobiográfica em forma de oração a Deus — os nove primeiros livros são autobiográficos e os quatro últimos, de caráter filosófico sobre a memória, o tempo e a criação. «A Cidade de Deus», composta entre 413 e 426, foi ocasionada pelo saque de Roma pelos visigodos de Alarico, em 410, que fez os pagãos culparem os cristãos pela queda da Urbe; em vinte e dois livros, opõe a «cidade terrena», fundada no amor de si, à «cidade de Deus», fundada no amor a Deus, e esboça uma filosofia cristã da história. Escreveu ainda tratados sobre a Trindade, a graça e a interpretação da Escritura, além de centenas de sermões e cartas.
Morreu em Hipona em 28 de agosto de 430. Foi canonizado por aclamação popular e, em 1298, o Papa Bonifácio VIII — num decreto que ordenou a celebração de suas festas — reconheceu-o Doutor da Igreja entre os quatro primeiros: Ambrósio, Jerônimo, Gregório Magno e ele próprio. É contado entre os quatro grandes Doutores latinos; na Igreja Ortodoxa, embora reverenciado como santo, algumas de suas doutrinas não são aceitas. Sua memória litúrgica é celebrada em 28 de agosto.
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