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Missões

Pontifícias Obras Missionárias

Rede mundial de oração e apoio material às missões, iniciada pela leiga francesa Pauline Jaricot em 1822 e hoje coordenada pela Congregação para a Evangelização dos Povos.

Pontifícias Obras Missionárias
Foto: Œuvres Pontificales Missionnaires de France (2008) — Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Tipo
Conceito
Século
século XIX

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Pauline Marie Jaricot nasceu em 1799 em Lyon, na França, a caçula de sete filhos de uma próspera família de comerciantes de seda. Educada num ambiente burguês e devoto, sofreu aos dezessete anos a perda da mãe e viveu uma experiência de conversão pessoal que a levou a abandonar uma vida de vaidades e a se dedicar a obras de caridade entre os operários pobres das fábricas de seda de Lyon, cujas condições de trabalho conhecia de perto pela profissão da própria família. Foi esse contato com a realidade fabril, somado às notícias que chegavam a Lyon sobre as necessidades urgentes dos missionários católicos franceses na China e na América — muitos deles antigos colegas de seminário de seu irmão, que se tornara padre e partira como missionário —, que a levou a conceber um modelo original de apoio às missões.

A partir de 1818, Jaricot organizou entre as operárias das fábricas de seda de Lyon um sistema simples e eficaz de arrecadação: cada pessoa se comprometia a rezar diariamente por um único mistério do rosário e a doar uma pequena quantia semanal (inicialmente um sou), ao mesmo tempo em que buscava outras dez pessoas para fazer o mesmo, formando "grupos de dez" que se multiplicavam em cadeia e cujos fundos, somados, financiavam missionários no mundo inteiro. Esse sistema evoluiu e foi formalizado como associação em 3 de maio de 1822, data reconhecida como a fundação oficial da Obra da Propagação da Fé — considerada a primeira rede mundial organizada de oração e solidariedade material com as missões católicas, e cujo modelo de "corrente" de doadores viria a inspirar, décadas depois, práticas semelhantes de outras instituições beneficentes.

Jaricot não parou aí: em 1826 fundou também a Associação do Rosário Vivo, dividindo o rosário em quinze (depois vinte) mistérios distribuídos entre grupos de fiéis que assim rezavam o terço completo em comunhão de intenção, uma iniciativa de espiritualidade popular que se espalhou amplamente pela França e além. Sua vida pessoal, no entanto, foi marcada por reveses: investiu boa parte de sua fortuna e a de sua família em um projeto de fábrica-modelo com melhores condições para operários, a chamada "Usina de Rustrel", que fracassou financeiramente e a deixou endividada e humilhada nos últimos anos de vida; morreu pobre e praticamente esquecida em Lyon, em 1862.

Em 1843, complementando a obra de Jaricot, o bispo francês Charles de Forbin-Janson fundou em Paris a Obra da Santa Infância (hoje Infância e Adolescência Missionária), destinada a envolver crianças na oração e na pequena colaboração material com crianças de países de missão, e mais tarde surgiram a Obra de São Pedro Apóstolo, dedicada especificamente ao sustento de seminários e à formação de clero e religiosos nativos em territórios de missão, e a União Missionária do Clero e dos Religiosos, fundada na Itália e voltada à animação missionária de padres, religiosos e religiosas. Em 1922, o papa Pio XI, reconhecendo a eficácia e o alcance dessas iniciativas nascidas da base, elevou as três primeiras obras à condição de "pontifícias", subordinando-as diretamente à Congregação (hoje Dicastério) para a Evangelização dos Povos; a União Missionária do Clero foi reconhecida como a quarta obra pontifícia em 1956, pelo papa Pio XII.

Hoje as Pontifícias Obras Missionárias (POM) reúnem esses quatro ramos — Propagação da Fé, Santa Infância, São Pedro Apóstolo e União Missionária — organizados em estrutura internacional, nacional e diocesana presente em praticamente todos os países do mundo, funcionando como o principal instrumento oficial de cooperação e sustento material e espiritual à atividade missionária ad gentes da Igreja Católica, financiando desde a construção de igrejas e seminários até projetos sociais e a formação de agentes pastorais em territórios de missão. Essa estrutura de cooperação remonta, em sua lógica institucional, à própria Sagrada Congregação de Propaganda Fide, criada em 1622 pelo papa Gregório XV como órgão central de coordenação das missões católicas — as Pontifícias Obras Missionárias nasceram, dois séculos depois, como o braço popular e voluntário dessa mesma tarefa, mobilizando fiéis comuns em vez de apenas recursos eclesiásticos ou estatais. O processo de beatificação de Pauline Jaricot, aberto a pedido do papa Pio XI já em 1926, avançou lentamente ao longo do século XX: declarada Venerável por João XXIII em 1963, foi beatificada em 22 de maio de 2022, ano em que a Obra da Propagação da Fé também celebrou seus duzentos anos de fundação.

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Fontes

  • CNBB: Fundada por Pauline Jaricot, Pontifícia Obra da Propagação da Fé completa duzentos anos
  • Wikipédia: Pontifícias Obras Missionárias
  • Vatican News: As Pontifícias Obras Missionárias completam 200 anos
  • POM Brasil: Pauline Jaricot — jovem leiga missionária

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