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Missões

São Charles de Foucauld

Ex-militar e explorador francês que se tornou eremita missionário entre os tuaregues do deserto do Saara, propondo uma missão de presença silenciosa e fraternidade universal.

São Charles de Foucauld
Tipo
Missionário
Região
Argélia (deserto do Saara)
Século
séculos XIX-XX

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Charles Eugène de Foucauld nasceu em 15 de setembro de 1858, em Estrasburgo, numa família nobre de tradição militar; órfão de pai e mãe aos seis anos, foi criado por um avô e teve uma juventude marcada por excessos, gastos e uma fé que ele próprio descreveria depois como completamente perdida. Formou-se em 1876 na academia militar de Saint-Cyr — onde ganhou o apelido irônico de "Piggy" pelo luxo de que se cercava —, passou pela escola de cavalaria de Saumur e serviu como oficial de cavalaria na Argélia, de onde foi afastado por indisciplina, mas para onde voltou por iniciativa própria ao ser convocado durante uma revolta, distinguindo-se então por coragem em combate.

Foi na Argélia que nasceu seu fascínio pelo mundo muçulmano e pelo deserto: entre 1883 e 1884, disfarçado de rabino judeu para evitar suspeitas num território fechado a europeus, realizou uma perigosa expedição de reconhecimento geográfico pelo Marrocos então praticamente inexplorado pelos ocidentais, registrada no livro Reconnaissance au Maroc (1888), obra que lhe valeu a medalha de ouro da Sociedade de Geografia de Paris. Foi essa viagem, e o contato admirado com a fé profunda e a prática religiosa cotidiana dos muçulmanos que encontrou, que reacendeu nele a pergunta religiosa; de volta a Paris, em outubro de 1886, sob orientação do padre Henri Huvelin — a quem procurou na igreja de Saint-Augustin —, viveu uma conversão que descreveu como instantânea, ao se confessar e comungar após anos de afastamento: "assim que cri que havia um Deus, compreendi que não podia fazer senão viver para Ele", escreveria mais tarde. Em 1888-1889 peregrinou à Terra Santa.

Buscando uma vida de radicalidade e apagamento, ingressou em 1890 na Trapa (Ordem Cisterciense da Estrita Observância), no mosteiro de Notre-Dame des Neiges, passando depois a Akbès, na Síria, mas sentindo que ainda buscava algo mais pobre e mais próximo do Jesus de Nazaré que passou trinta anos em obscuridade antes da vida pública. Deixou os trapistas em 1897 e viveu como faz-tudo e depois eremita junto a um convento de clarissas em Nazaré, tentando reproduzir em pobreza extrema a "vida oculta" de Jesus artesão; foi ordenado sacerdote apenas em 1901, já aos 43 anos, pela diocese de Viviers, a pedido de seus superiores espirituais, que viam nisso um instrumento necessário para a missão que ele projetava.

Ainda em 1901 partiu para o Saara argelino, instalando-se primeiro em Beni Abbès, junto à fronteira marroquina, e depois, a partir de 1905, em Tamanrasset, no maciço do Hoggar (Ahaggar), entre os tuaregues muçulmanos — um dos lugares mais isolados então acessíveis a um europeu. Ali Foucauld não buscou converter ninguém pela pregação direta: propôs o que chamou de "apostolado da bondade", uma presença silenciosa e fraterna, aberta a todos sem distinção de religião, hospedando viajantes, cuidando de doentes em tempos de fome e epidemia, e dedicando-se a um trabalho erudito de registro da língua e da poesia tuaregues, que resultou num extenso dicionário tuaregue-francês em quatro volumes e numa coletânea de poesias, ainda hoje referência para os estudos berberes. Definia-se como "irmão universal", disposto a ser irmão de todo ser humano, cristão ou não, e chegou a redigir estatutos para uma futura "Fraternidade" religiosa que nunca viu nascer em vida — não teve um único discípulo direto durante os quinze anos que passou no deserto.

Em 1 de dezembro de 1916, em meio à Primeira Guerra Mundial e a levantes armados contra o domínio colonial francês no Saara, sua ermida em Tamanrasset foi cercada por um grupo de assaltantes ligados à confraria senussita; Foucauld foi morto a tiros do lado de fora de sua casa, num episódio ainda hoje discutido quanto às circunstâncias exatas. Sua memória, porém, não se apagou: o biógrafo René Bazin publicou em 1921 uma vida de Foucauld, "explorador no Marrocos, eremita no deserto do Saara", que circulou amplamente e despertou vocações, e o estudioso Louis Massignon ajudou a preservar seus escritos espirituais. A partir deles nasceram diversas congregações que se reconhecem como sua "família espiritual": os Pequenos Irmãos de Jesus, cuja primeira comunidade se instalou em El Abiodh Sidi Cheikh, no sul de Oran (Argélia), em 8 de setembro de 1933, sob a direção de René Voillaume, e as Pequenas Irmãs de Jesus, fundadas em setembro de 1939 em Touggourt, na Argélia, por Madeleine Hutin (Irmã Madalena de Jesus), entre outras comunidades religiosas e associações leigas no mundo todo, unidas pela espiritualidade de vida oculta, pobreza radical e fraternidade universal. Declarado venerável em 2001 por João Paulo II, beatificado pelo papa Bento XVI em 13 de novembro de 2005, Charles de Foucauld foi canonizado pelo papa Francisco em 15 de maio de 2022.

Fontes

(5)
  • Vatican News: Charles de Foucauld, o postulador: irmão universal que imitou Jesus
  • The Joseph House: Charles de Foucauld – The Timeline of a Saint (nascimento, conversão de outubro de 1886 sob Huvelin, entrada na Trapa em 1890)
  • Britannica: St. Charles de Foucauld (morte em 1/12/1916, canonização 2022) e Little Brothers of Jesus and Little Sisters of Jesus (fundações de 1933 e 1939)
  • Wikipedia (en): Charles de Foucauld (beatificação 13/11/2005, venerável 2001, canonização 15/5/2022)
  • Wikipedia (pt) / Fraternidade Charles de Foucauld: fundação dos Pequenos Irmãos em El Abiodh Sidi Cheikh (1933)

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