Liturgia das Horas · Hora 3
Hora Média (Terça, Sexta e Noa)
As breves orações do meio do dia que santificam as horas de trabalho, tradicionalmente ligadas a momentos-chave da Paixão e de Pentecostes; desde a reforma do Vaticano II fora do coro pode-se rezar apenas uma delas.

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A Hora Média reúne as antigas horas menores de Terça (por volta das 9h), Sexta (meio-dia) e Noa (por volta das 15h). O costume de orar nesses três momentos do dia tem raiz na piedade judaica e passou aos primeiros cristãos: os Atos dos Apóstolos registram orações na terceira hora — quando o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos em Pentecostes (At 2,15) —, na sexta (At 10,9) e na nona (At 3,1). No século II, Clemente de Alexandria já citava essas horas como momentos privilegiados de oração; no século III, Tertuliano e Orígenes lhes deram fundamento bíblico, e os Cânones de Hipólito igualmente as mencionam. Terça, Sexta e Noa tornaram-se, ao longo dos séculos, horas eclesiásticas propriamente ditas, distintas das orações privadas.
A tradição espiritual associou cada uma dessas horas a um mistério da salvação. Terça recorda a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos em Pentecostes, "pela terceira hora do dia"; Sexta evoca a crucificação de Cristo ao meio-dia; Noa, sua morte na cruz "por volta da hora nona" (Mt 27,46). Rezar a Hora Média é, portanto, um modo de inserir os afazeres do dia no próprio mistério pascal, oferecendo o trabalho em união com Cristo.
Historicamente, essas horas mantiveram por muito tempo uma estrutura fixa. Antes da reforma de Pio X, as horas menores repetiam diariamente as dezoito divisões restantes do Salmo 118; a constituição apostólica Divino afflatu, de 1 de novembro de 1911, redistribuiu o saltério e alterou esse arranjo. Já na Hora Média atual, o Salmo 118 continua distribuído, ao longo de vinte e dois dias — um por divisão —, porque a tradição sempre o atribuiu às horas diurnas.
A reorganização promovida pelo Concílio Vaticano II definiu a forma vigente. A Sacrosanctum Concilium (n. 89, e) determinou que "no coro se mantenham as horas menores de Tércia, Sexta e Noa", mas que "fora do coro pode escolher-se uma das três, a que melhor corresponda à hora do dia". Por isso, quem reza o Ofício individualmente costuma recitar apenas uma das três, conforme o horário, enquanto as comunidades em coro continuam a celebrá-las todas. É a hora mais breve da Liturgia das Horas, composta de hino, três salmos (ou trechos do Salmo 118), leitura breve, responsório e oração conclusiva.
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