Igreja no Brasil
Padre Cícero e a Religiosidade Popular de Juazeiro
Sacerdote cearense que, apesar de décadas de censuras canônicas, tornou-se um dos maiores símbolos de devoção popular do Nordeste brasileiro.
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Padre Cícero Romão Batista (1844-1934), pároco de Juazeiro do Norte, no Ceará, tornou-se figura central da religiosidade popular nordestina depois do chamado "Milagre de Juazeiro", em 6 de março de 1889, quando uma hóstia que ele havia dado à beata Maria de Araújo pareceu transformar-se em sangue. A Igreja, após investigações, não reconheceu o fenômeno como milagre, e ao longo das décadas seguintes (1889-1926) impôs a Padre Cícero sucessivas punições disciplinares — proibição de celebrar missas, suspensão a divinis e, em determinado momento, chegou a se anunciar sua excomunhão, embora essa medida extrema não tenha sido efetivamente aplicada.
Mesmo afastado do exercício regular do sacerdócio, Padre Cícero manteve enorme prestígio junto ao povo, que passou a venerá-lo como santo popular — devoção nunca oficialmente reconhecida pela Igreja, mas tampouco jamais totalmente reprimida. Em dezembro de 2015, por ocasião da abertura do Ano Santo da Misericórdia e por vontade expressa do papa Francisco, a Santa Sé, por carta do então secretário de Estado Dom Pietro Parolin, anunciou um gesto de reconciliação com a memória do sacerdote e seus romeiros.
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