Igreja no Brasil
A Igreja Católica e a Escravidão no Brasil
A relação da Igreja com a escravidão no Brasil foi marcada por contradições: presente na sociedade escravista desde a colonização, mas também alvo, ao longo dos séculos, de condenações pontifícias e de participação de clérigos no movimento abolicionista.
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Desde a colonização, a Igreja Católica esteve profundamente entranhada numa sociedade escravista — ordens religiosas e irmandades leigas possuíam pessoas escravizadas, e as próprias Constituições do Arcebispado da Bahia de 1707 regulavam, sem condenar, a instituição. Ainda assim, a Santa Sé emitiu condenações pontifícias explícitas: já em 1741, o papa Bento XIV enviou uma carta aos bispos do Brasil condenando a escravização de indígenas, e em 1839 o papa Gregório XVI, pela bula "In Supremo Apostolatus", condenou formalmente o tráfico de escravizados africanos — quase cinquenta anos antes da abolição no Brasil.
A partir da década de 1870, parte do alto clero brasileiro engajou-se ativamente na campanha abolicionista, intensificando suas declarações contra o cativeiro nos anos que antecederam a Lei Áurea. A encíclica "In Plurimis", do papa Leão XIII, datada de 5 de maio de 1888, chegou ao Brasil dias depois da assinatura da lei; em agradecimento ao gesto da princesa Isabel, o mesmo papa lhe enviaria a Rosa de Ouro, uma das mais altas condecorações pontifícias.
Fontes
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