Igreja no Brasil
O Cristo Redentor como Símbolo Nacional
A estátua art déco no Corcovado, inaugurada em 12 de outubro de 1931, tornou-se um dos símbolos mais reconhecidos do catolicismo brasileiro e do próprio país.

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A ideia de erguer um grande monumento religioso no alto do morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, remonta a 1859, quando o padre lazarista francês Pierre-Marie Boss, da Igreja do Colégio Imaculada Conceição, propôs uma estátua da Virgem Maria — projeto que não avançou. A proposta só ganhou força no contexto das comemorações do centenário da Independência do Brasil (1822), quando a Arquidiocese do Rio de Janeiro, sob o impulso do então cardeal Dom Sebastião Leme, organizou a chamada "Semana do Monumento" para arrecadar fundos. As obras de preparação começaram na década de 1920: a autorização para construir no Corcovado foi concedida em 1º de junho de 1922, no mesmo ano lançou-se a pedra fundamental e, em 22 de maio de 1923, o projeto do engenheiro Heitor da Silva Costa foi escolhido em assembleia geral da Comissão Executiva do Monumento Nacional ao Cristo Redentor.
A concepção inicial do monumento, porém, era diferente da que se consagrou: no primeiro desenho, a figura de Cristo empunharia um globo terrestre numa mão e uma cruz na outra — projeto que chegou a ser ridicularizado pelos cariocas como o "Cristo da Bola". O desenho final, de braços abertos em forma de cruz, foi definido pelo pintor e gravador italiano Carlos Oswald. Heitor da Silva Costa concebeu a estrutura, enquanto a modelagem da escultura coube ao escultor francês Paul Landowski, responsável pelos moldes da cabeça e das mãos, esculpidos na França. O cálculo estrutural ficou a cargo do engenheiro francês Albert Caquot, da firma Pelnard-Considère e Caquot. A construção, em concreto armado revestido por pedra-sabão (material escolhido por resistir melhor às variações climáticas), consumiu cerca de nove anos, de 1922 a 1931. A estátua tem 38 metros de altura (com o pedestal), pesa aproximadamente 1.145 toneladas e está a 710 metros de altitude, sendo um dos maiores monumentos do mundo em estilo art déco.
A inauguração, em 12 de outubro de 1931 — propositalmente no dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e não por coincidência —, contou com a presença do presidente Getúlio Vargas e do interventor do Distrito Federal Pedro Ernesto. O ponto alto da cerimônia, às 19h15, foi a iluminação do monumento acionada por um sinal de rádio transmitido pelo físico italiano Guglielmo Marconi desde a Itália, gesto celebrado pela imprensa da época (Assis Chateaubriand, dos Diários Associados, enviou telegrama a Marconi saudando "a faísca do gênio latino"). Segundo registros do Iphan, porém, o sistema de Marconi não funcionou como o esperado, e o Cristo acabou iluminado pela equipe do engenheiro Gustavo Corção. Atrás da estátua há uma capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida.
Ao longo do século XX o monumento consolidou-se não apenas como marco religioso, mas como símbolo nacional, reproduzido em imagens oficiais e amplamente associado à identidade brasileira. Em 2007 foi eleito uma das "Sete Maravilhas do Mundo Moderno" em votação popular internacional. Sofreu danos por raios (o mais notório em 2014, que atingiu o dedo polegar da mão direita) e passou por amplos trabalhos de restauração e reforço estrutural. Mais do que obra de engenharia, o Cristo Redentor permanece como o mais visível testemunho do esforço da Igreja brasileira, na Primeira República, para afirmar publicamente a presença católica no espaço urbano e na vida nacional.
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