História da Igreja
O Grande Jubileu do Ano 2000
Ano santo extraordinário proclamado por João Paulo II para celebrar os dois mil anos do nascimento de Cristo, único jubileu em que o próprio papa abriu as Portas Santas das quatro basílicas papais de Roma, encerrado em 6 de janeiro de 2001.

- Período
- Época contemporânea (1999-2001)
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A preparação para o Grande Jubileu do Ano 2000 começou anos antes de sua celebração: já em 1994, o papa João Paulo II publicou a carta apostólica «Tertio Millennio Adveniente», convocando toda a Igreja a um período preparatório de três anos, cada um dedicado a uma pessoa da Trindade — o Filho em 1997, o Espírito Santo em 1998 e o Pai em 1999 —, com ênfase especial na reconciliação, na renovação da fé e no testemunho da misericórdia divina diante da virada do milênio. A tradição dos anos jubilares na Igreja Católica remonta ao ano 1300, instituído pelo papa Bonifácio VIII, e desde então tem oferecido aos fiéis a possibilidade de obter indulgências plenárias mediante peregrinação, confissão e outras condições espirituais específicas. O jubileu do ano 2000 foi formalmente convocado pela bula «Incarnationis Mysterium», de 29 de novembro de 1998, primeiro domingo do Advento.
Na noite de Natal de 1999, envolto num manto colorido, o papa João Paulo II ajoelhou-se diante da Porta Santa da Basílica de São Pedro, fez uma pausa de oração e a abriu solenemente, dando início oficial ao Grande Jubileu do Ano 2000, ano santo extraordinário proclamado para celebrar o segundo milênio do nascimento de Cristo. Segundo o próprio texto da bula de indição, a abertura da Porta Santa de São Pedro precederia «de poucas horas» a celebração inaugural prevista em Jerusalém e Belém. Foi o único jubileu da história em que o próprio papa abriu pessoalmente, em datas sucessivas ao longo dos dias seguintes, as portas santas das quatro basílicas papais de Roma — São Pedro (24 de dezembro de 1999), São João de Latrão (25 de dezembro), Santa Maria Maior (1º de janeiro de 2000) e São Paulo Fora dos Muros (18 de janeiro, início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos) —, tarefa que em jubileus anteriores era normalmente delegada a cardeais legados.
Durante os 379 dias em que ficou aberta, a Porta Santa de São Pedro foi passagem para mais de vinte e cinco milhões de peregrinos vindos de todo o mundo, que podiam obter a indulgência jubilar visitando uma das basílicas patriarcais de Roma, participando da Eucaristia ou dedicando meio período à adoração eucarística; a mesma graça podia ser obtida na Terra Santa, visitando a Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém, a Basílica da Natividade em Belém e a Basílica da Anunciação em Nazaré, num gesto que sublinhava a dimensão universal, e não apenas romana, da celebração jubilar. Em agosto de 2000, no coração do ano santo, Roma acolheu a XV Jornada Mundial da Juventude, de 15 a 20 de agosto, com o tema «E o Verbo se fez carne e veio morar entre nós»: cerca de dois milhões de jovens de 157 países participaram da vigília e da missa na área de Tor Vergata, presididas por João Paulo II. O ano foi ainda marcado pelo «Martirológio dos cristãos mortos no século XX», memorial ecumênico dos mártires da fé.
O ano jubilar incluiu ainda alguns dos gestos mais marcantes de todo o pontificado de João Paulo II. Em 12 de março de 2000, no chamado «Dia do Perdão», o papa presidiu na Basílica de São Pedro uma liturgia penitencial em que pediu publicamente perdão por pecados históricos cometidos por filhos da Igreja ao longo dos séculos — incluindo a violência religiosa, a Inquisição, as divisões entre cristãos e os pecados contra os povos indígenas, os judeus e as mulheres —, um exame de consciência histórico sem precedentes na tradição papal. Semanas depois, de 20 a 26 de março de 2000, João Paulo II realizou uma peregrinação à Terra Santa, visitando Israel, os territórios palestinos e a Jordânia; em 26 de março, naquele que é o «Muro Ocidental» (Muro das Lamentações) de Jerusalém, o papa fez uma pausa de oração e, segundo o costume judaico, depositou nas fendas das pedras um bilhete escrito à mão pedindo perdão por «as violências e os crimes» cometidos contra os judeus — imagem que correu o mundo como símbolo do compromisso do papa com a reconciliação inter-religiosa.
O Grande Jubileu encerrou-se com o fechamento solene da Porta Santa de São Pedro em 6 de janeiro de 2001, festa da Epifania, com o canto do hino «Te Deum», pondo fim a um ano que, segundo balanços da própria Santa Sé, mobilizou dezenas de milhões de peregrinos entre Roma e a Terra Santa e é lembrado como um dos momentos de maior visibilidade pública e espiritual de todo o pontificado de João Paulo II, poucos anos antes de sua morte em 2005.
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