Virtudes
Dar bom conselho a quem precisa
Segunda obra de misericórdia espiritual: ajudar quem está em dúvida a discernir o caminho reto, à luz da fé.

- Tipo
- Obra de misericórdia espiritual
Tamanho do texto
Dar bom conselho a quem precisa é a segunda das sete obras de misericórdia espirituais, enumeradas pela tradição da Igreja ao lado de ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias, suportar com paciência as fraquezas do próximo e rezar a Deus pelos vivos e pelos defuntos. O Catecismo da Igreja Católica (n. 2447) as define como «as ações caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais», recordando que a tradição das obras de misericórdia se apoia em Isaías 58,6-7 e em Mateus 25,31-46.
A obra exige doar tempo, atenção e discernimento genuíno ao problema do outro, sem impor a própria vontade no lugar do bem da pessoa aconselhada. Não se confunde com mandar ou decidir pelo próximo: o bom conselho respeita a liberdade de quem decide, oferecendo luz e não coação, e por isso se distingue da simples opinião ou da pressão disfarçada de ajuda.
Convém não confundir esta obra de misericórdia com o dom do conselho, um dos sete dons do Espírito Santo. O dom infuso aperfeiçoa a virtude da prudência e torna o cristão dócil às inspirações divinas no momento de julgar o que deve ser feito (São Tomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, q. 52, que trata o dom do conselho em quatro artigos e o articula à prudência). A obra de misericórdia, por sua vez, é um ato livre de caridade fraterna, acessível a todo batizado, que se exerce no conselho dado a quem está diante de uma decisão difícil ou de uma dúvida moral.
Quanto à origem da lista, note-se um dado pouco lembrado: as obras de misericórdia corporais derivam quase todas da cena do Juízo Final em Mateus 25, mas as obras espirituais não têm uma enumeração bíblica própria. Segundo historiadores da espiritualidade, as obras espirituais surgiram da leitura alegórica de Mateus 25 por Orígenes — que via nas obras «materiais» do texto um sentido também «espiritual» — e a fixação de uma lista bem definida de sete obras, corporais e espirituais, costuma ser situada por volta do século XII, com a inclusão da sepultura dos mortos (a partir de Tobias 1,16-18) e, ao menos desde Tomás de Aquino, o elenco correlato das obras espirituais. O septenário das obras de misericórdia passou a integrar o ensino catequético e a pregação popular, com forte expressão na arte sacra (por exemplo, o quadro «As sete obras de misericórdia» de Caravaggio, de 1607).
Na vida prática da Igreja, as obras de misericórdia foram revalorizadas com força no Jubileu Extraordinário da Misericórdia (2015-2016), convocado pelo papa Francisco, quando o elenco das quatorze obras — sete corporais e sete espirituais — foi amplamente divulgado na catequese e nas iniciativas pastorais. A segunda obra, dar bom conselho, permanece um dos gestos mais acessíveis da caridade: não requer bens materiais, apenas disponibilidade para escutar e orientar com verdade e caridade.
Continue sua leitura

As obras de misericórdia
Crisma
Ações corporais e espirituais pelas quais o cristão socorre o próximo necessitado, à imitação da misericórdia de Deus.
Pecado de Omissão
Pecados
O pecado que consiste não em fazer o mal, mas em deixar de fazer o bem que se tinha obrigação de fazer.

Dar de comer a quem tem fome
Virtudes
Obra de misericórdia corporal que socorre quem passa fome e reconhece nele a presença do próprio Cristo.

Dar de beber a quem tem sede
Virtudes
Segunda obra de misericórdia corporal, atenção às necessidades básicas de sobrevivência do próximo.
