História da Igreja
O Concílio Vaticano II
Concílio ecumênico de 1962-1965 que promoveu ampla renovação litúrgica, eclesiológica e pastoral da Igreja Católica no mundo contemporâneo.

- Período
- Época contemporânea (1962-1965)
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Eleito em outubro de 1958 já com quase 77 anos, e visto por muitos como um «papa de transição» que não deixaria marcas profundas, João XXIII surpreendeu o mundo católico ao anunciar, em 25 de janeiro de 1959 — menos de três meses após sua eleição —, a convocação de um novo concílio ecumênico, o primeiro desde o Vaticano I, interrompido em 1870. O papa definiu o objetivo do concílio com uma palavra que se tornaria célebre: «aggiornamento», atualização — não uma mudança na doutrina de fé, que João XXIII considerava imutável, mas uma renovação da linguagem, das estruturas pastorais e da postura da Igreja diante do mundo contemporâneo, para que a mensagem cristã pudesse ser mais eficazmente compreendida e vivida.
Após mais de três anos de preparação, com comissões preparatórias que reuniram milhares de sugestões («vota») do episcopado mundial, o Concílio Vaticano II abriu-se solenemente em 11 de outubro de 1962, na Basílica de São Pedro, reunindo mais de 2.400 bispos vindos de todos os continentes — a assembleia mais numerosa e mais verdadeiramente universal da história dos concílios, refletindo a maturidade das jovens Igrejas da África, da Ásia e da América Latina. Pela primeira vez, o concílio contou também com a presença de observadores oficiais de outras confissões cristãs — ortodoxos, anglicanos, luteranos, entre outros —, convidados a acompanhar os trabalhos num gesto de abertura ecumênica sem precedentes.
João XXIII morreria em 3 de junho de 1963, entre a primeira e a segunda das quatro sessões do concílio, sem ver seu término. Seu sucessor, o cardeal Giovanni Battista Montini, eleito poucas semanas depois com o nome de Paulo VI, assumiu a tarefa de conduzir o concílio às suas conclusões, presidindo as três sessões restantes até seu encerramento solene em 8 de dezembro de 1965. Ao todo, o concílio promulgou dezesseis documentos — quatro constituições, nove decretos e três declarações —, um volume de magistério sem precedentes em qualquer concílio anterior.
Entre os textos mais influentes está a constituição «Lumen Gentium», sobre a Igreja, que renovou a autocompreensão eclesial ao apresentar a Igreja primeiramente como «Povo de Deus», antes de tratar de sua estrutura hierárquica, e desenvolveu a doutrina da colegialidade episcopal — a ideia de que os bispos, unidos ao papa, compartilham coletivamente a responsabilidade de governo da Igreja universal. A constituição «Sacrosanctum Concilium», aprovada já na primeira sessão em 1963, iniciou a ampla reforma litúrgica que substituiu o latim pelas línguas vernáculas na maior parte da Missa e ampliou a participação ativa dos fiéis no culto — a mudança mais visível e imediatamente sentida pelos católicos comuns em todo o mundo. A constituição «Dei Verbum» renovou a teologia da Revelação e valorizou o acesso dos fiéis às Sagradas Escrituras, e a extensa constituição pastoral «Gaudium et Spes» tratou da relação entre a Igreja e o mundo contemporâneo em temas como cultura, trabalho, família, paz e desenvolvimento econômico.
Outros documentos abriram caminhos até então inéditos: a declaração «Nostra Aetate» estabeleceu bases inteiramente novas para o relacionamento da Igreja com o judaísmo, o islamismo e as demais religiões não cristãs, repudiando explicitamente qualquer forma de antissemitismo; o decreto «Unitatis Redintegratio» lançou as bases do compromisso ecumênico moderno da Igreja Católica com as demais confissões cristãs; e a declaração «Dignitatis Humanae» afirmou o direito à liberdade religiosa como exigência da dignidade da pessoa humana, superando posições mais restritivas do magistério católico anterior sobre a relação entre Igreja e Estado.
Meio século depois de seu encerramento, o Concílio Vaticano II permanece o evento mais marcante da história recente da Igreja Católica, mas também um dos mais debatidos: teólogos, pastores e movimentos dentro da Igreja discordam sobre até que ponto seus documentos representam continuidade ou ruptura com a Tradição anterior, sobre o ritmo e a extensão adequados da reforma litúrgica que dele resultou, e sobre como aplicar corretamente, décadas depois, sua visão de diálogo com o mundo moderno — debates que atravessaram os pontificados de Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco, e que seguem vivos na Igreja de hoje.
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Concílio Vaticano II
Concílios
Vigésimo primeiro concílio ecumênico (1962-1965): quatro constituições sobre liturgia, Igreja, Revelação e Igreja no mundo contemporâneo.

São João XXIII
Papas
O «Papa Bom», que convocou o Concílio Vaticano II em 1962, embora não tenha vivido para vê-lo concluído.

São Paulo VI
Papas
Papa que conduziu e encerrou o Concílio Vaticano II, promulgando suas reformas litúrgicas e a encíclica «Humanae Vitae».

Maria, Mãe da Igreja
Crisma
O papel único de Maria na obra da salvação, sua maternidade espiritual sobre todos os discípulos de Cristo e o título proclamado por Paulo VI em 1964.
