Documentos do Magistério
Fratelli Tutti
Encíclica de Francisco sobre a fraternidade universal e a amizade social, assinada em Assis e inspirada em São Francisco e na parábola do Bom Samaritano.

- Tipo
- Encíclica
- Autor
- Francisco
- Ano
- 2020
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Fratelli tutti ("Todos irmãos") é a terceira encíclica do Papa Francisco, com o subtítulo "Sobre a fraternidade e a amizade social". O documento foi assinado em 3 de outubro de 2020 no Sacro Convento de Assis, junto ao túmulo de São Francisco — véspera da memória litúrgica do santo —, durante a primeira viagem oficial do papa fora de Roma após o início da pandemia de Covid-19, e publicado no dia seguinte, 4 de outubro de 2020. O título provém das Admoestações de São Francisco de Assis, retomadas citando 1 João: "Amemos o nosso irmão tanto quando está longe como quando está junto de nós".
Composta por oito capítulos e 287 números, a encíclica parte de uma análise crítica do contexto contemporâneo e propõe caminhos éticos e espirituais. Os capítulos são: I — "As sombras dum mundo fechado"; II — "Um estranho no caminho" (nn. 56-86), dedicado à parábola do Bom Samaritano; III — "Pensar e gerar um mundo aberto"; IV — "Um coração aberto ao mundo inteiro"; V — "A melhor política"; VI — "Diálogo e amizade social"; VII — "Percursos dum novo encontro"; e VIII — "As religiões ao serviço da fraternidade no mundo" (nn. 271-287). O capítulo II é considerado o coração teológico do documento: Francisco recorre ao Bom Samaritano (Lc 10,25-37) para condenar a indiferença e a "cultura do descarte", afirmando que se tornou-se "analfabetos em acompanhar, cuidar e sustentar os mais frágeis" e que "nos incomoda o sofrimento alheio", sintoma de uma sociedade doente. O documento se encerra com duas orações: a "Oração ao Criador" e a "Oração cristã ecumênica".
A encíclica se insere na tradição do magistério social da Igreja e dialoga com antecedentes diretos, como a encíclica Laudato si' (2015) e o Documento sobre a Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Convivência Comum, assinado por Francisco com o grande imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, em Abu Dhabi, em 4 de fevereiro de 2019. Criticou com igual ênfase o populismo e certas formas de liberalismo econômico, o nacionalismo fechado, a demagogia e as "teorias mágicas" do mercado apresentadas como solução para os problemas do mundo, além de apelar ao rechaço das guerras e a uma maior cooperação global, tida como falha na gestão da pandemia. A reflexão sobre a abertura aos migrantes e a fraternidade universal gerou controvérsia: alguns, como a estadunidense Annemarie Paulin-Campbell, criticaram o próprio título ("Fratelli", que embora signifique "irmãos e irmãs", carregaria conotação masculina) e a ausência de tratamento específico de questões como a violência de gênero.
O pontificado de Francisco viu nesta encíclica uma síntese de seu programa de fraternidade. O papa declarou tê-la oferecido a Deus sobre o túmulo de São Francisco, que o inspirou, assim como fizera com Laudato si', e repetiu que "os sinais dos tempos mostram claramente que a fraternidade humana e o cuidado da criação constituem o único caminho rumo ao desenvolvimento integral e à paz".
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