Documentos do Magistério
Evangelii Nuntiandi
Exortação apostólica de Paulo VI (1975) sobre a evangelização no mundo contemporâneo, fruto do Sínodo dos Bispos de 1974 e referência central para a ação missionária pós-conciliar.

- Tipo
- Exortação Apostólica
- Autor
- Paulo VI
- Ano
- 1975
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Evangelii Nuntiandi ("No anúncio do Evangelho" ou "Evangelização no mundo moderno") é a exortação apostólica de Paulo VI sobre a evangelização, datada de 8 de dezembro de 1975 — solenidade da Imaculada Conceição —, no décimo terceiro ano de seu pontificado. O documento recolhe e desenvolve os resultados da III Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, reunida em Roma em outubro de 1974, cujo tema era precisamente definir o que a Igreja entende por "evangelização". Nesse sentido, é fruto direto da recepção do Concílio Vaticano II e do decreto conciliar Ad Gentes, sobre a atividade missionária da Igreja, promulgado cerca de dez anos antes.
A exortação tem uma introdução e sete seções. A introdução apresenta a evangelização como o serviço principal da Igreja; a primeira seção trata do vínculo entre Cristo evangelizador e a Igreja, que imita seu Mestre; a segunda propõe uma definição de evangelização em contraste com outras concepções possíveis do termo; a terceira expõe seu conteúdo; a quarta, os métodos; a quinta, os destinatários; e as últimas seções tratam dos evangelizadores e do Espírito Santo como agente principal da evangelização.
Um dos pontos mais citados do texto é a afirmação do parágrafo 15: "Evangelizadora como é, a Igreja começa por se evangelizar a si mesma", que situa a conversão e o testemunho da própria comunidade como ponto de partida de todo anúncio. Paulo VI amplia o sentido do termo: evangelizar não é apenas pregar verbalmente, mas incluir o testemunho de vida, a promoção humana e a libertação, a inculturação da fé e o diálogo com as culturas. É notável a insistência no "testemunho", que o Papa considera insubstituível: o mundo de hoje, escreve ele, "tem sede de autenticidade".
O contexto do documento é o de uma Igreja que, dez anos após o Concílio, precisava responder tanto ao impulso missionário renovado quanto a correntes teológicas e pastorais tensas na época, sobretudo na América Latina. A exortação procurou articular a evangelização com a promoção humana e a libertação sem reduzi-la a uma delas, e o Sínodo de 1974 respondeu àqueles que pensavam que o tempo dos missionários havia passado. Paulo VI fala dos "tempos novos da evangelização", expressão que prenuncia a "nova evangelização" mais tarde auspiciada por João Paulo II e retomada por Bento XVI e Francisco, cuja exortação Evangelii gaudium (2013) declaradamente se inspira em Evangelii Nuntiandi. O documento é hoje considerado um marco na teologia e na pastoral da evangelização pós-conciliar.
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