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Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
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Crisma

O nono mandamento: não desejarás a mulher do próximo

A purificação do coração e o combate à concupiscência carnal, condição para viver a castidade em plenitude e para «ver a Deus».

O nono mandamento: não desejarás a mulher do próximo
Parágrafos
CIC 2514-2533

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O Catecismo, nos números 2514 a 2533, ensina que o nono mandamento pede a purificação do coração e combate a concupiscência da carne: não basta evitar o pecado externo, é preciso vigiar os pensamentos e os desejos que o precedem. O ponto de partida é a distinção joanina das três espécies de cupidez ou concupiscência: «a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida» (1 Jo 2,16). Segundo a tradição catequética católica, o nono mandamento proíbe a concupiscência carnal, enquanto o décimo tem por objeto a cobiça dos bens alheios (CIC 2514). Vale registrar que, etimologicamente, «concupiscência» pode designar toda forma veemente de desejo humano; ela não é, em si, pecado, mas tendência desordenada que se torna pecaminosa quando nela se consente (CIC 2515).

O fundamento é a palavra de Jesus: «Todo aquele que olhar para uma mulher com desejo, já cometeu adultério com ela em seu coração» (Mt 5,28). A batalha pela pureza trava-se, portanto, primeiro no interior da pessoa, e o Catecismo a resume na fórmula «a luta contra a concupiscência carnal passa pela purificação do coração e pela prática da temperança» (CIC 2530). São João apresenta a pureza de coração como condição para a visão de Deus: os puros de coração «verão a Deus» (cf. Mt 5,8), e desde já veem todas as coisas segundo Deus (CIC 2519, 2531).

Os meios dessa purificação são concretos e enumerados pelo Catecismo: a oração, a prática da castidade — virtude e dom de Deus —, a pureza de intenção e do olhar exterior e interior, a disciplina dos sentidos e da imaginação (CIC 2520, 2532). O Compêndio acrescenta que o batizado, com a graça de Deus, em luta contra os desejos desordenados, chega à pureza do coração por esses caminhos (Compêndio, n. 529). A essa purificação associa-se o pudor, que «preserva a intimidade da pessoa» e é paciência, modéstia e discrição no falar, no vestir e no agir (CIC 2521-2523, 2533).

A catequese de Crisma trata este mandamento como continuação do sexto, insistindo em que a castidade é fruto de um trabalho interior contínuo e não de uma única decisão; não nega o valor da atração humana, mas ordena os afetos segundo a vocação própria de cada um — ao matrimônio, à vida consagrada ou ao celibato. Nas sociedades saturadas de imagens e de estímulos eróticos, o nono mandamento recorda que a pureza se constrói também socialmente, exigindo purificação dos costumes e responsabilidade de quem produz e difunde conteúdos.

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