Crisma
O décimo mandamento: não cobiçarás os bens do próximo
O desapego do coração em relação aos bens materiais, a pobreza de espírito e a luta contra a cobiça e a inveja como caminho de liberdade interior.

- Parágrafos
- CIC 2534-2557
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O Catecismo, nos números 2534 a 2557, explica que o décimo mandamento completa o nono: enquanto aquele tem por objeto a concupiscência da carne, este proíbe a cobiça dos bens alheios, «raiz de onde procede o roubo, a rapina e a fraude» proibidos pelo sétimo mandamento (CIC 2534). O texto bíblico — «Não cobiçarás a casa do teu próximo... nem o seu boi, nem o seu jumento, nem cousa alguma que lhe pertença» (Ex 20,17) — está gravado nas duas tábuas da Lei, e já a tradição catequética distinguiu, segundo São João, três espécies de concupiscência: «a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida» (1Jo 2,16), presentes em CIC 2514.
A distinção em relação ao mandamento anterior é precisa: o nono proíbe o desejo desordenado pela pessoa do próximo; o décimo, o desejo desordenado pelas suas coisas. O Catecismo observa que a cobiça, «bem como a fornicação, tem a sua origem na idolatria», proibida nas três primeiras prescrições da Lei (CIC 2534) — ou seja, o apego desordenado ao dinheiro esconde uma falsa adoração. Por isso o nº 2536 condena «a avidez e o desejo de uma apropriação desmesurada dos bens terrenos» e a «cupidez desregrada, nascida da paixão imoderada das riquezas e do seu poder».
O mandamento exige que seja banida a inveja do coração. O Catecismo recorda, como advertência, o episódio em que o profeta Natã desmascara o rei Davi com a parábola do pobre que possuía uma só ovelha, cobiçada pelo rico (2Sm 12) (CIC 2538). A inveja, definida como a tristeza diante do bem do outro e o desejo imoderado de o possuir indevidamente, é contada entre os vícios capitais (CIC 2539), e dela nascem o ódio, a maledicência, a calúnia e a alegria pela desgraça alheia. Nesse sentido, a avareza — que Hugo de São Victor descrevia como o vício que «joga o homem no chão» e que Santo Tomás de Aquino analisa como desejo imoderado que excede a medida necessária à vida humana — figura entre os sete pecados capitais (CIC 1866).
Jesus mostra onde está a raiz de tudo: «Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6,21). Daí a fórmula radical que a catequese de Crisma retoma: «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6,24). A resposta ao décimo mandamento, segundo o Catecismo (nn. 2544-2547), não é apenas a abstenção, mas a virtude da pobreza de coração — «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus» (Mt 5,3) — pela qual o discípulo ordena retamente os seus afetos e faz de Deus o único tesouro, atitude que a Crisma associa diretamente à primeira das Bem-aventuranças.
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"Não cobiçarás os bens do próximo"
Mandamentos
O décimo mandamento completa o sétimo no plano do desejo interior: proíbe a cobiça dos bens alheios, a avareza e a inveja, e pede a pobreza de coração.

Os Dez Mandamentos: o décimo mandamento
Catecismo
O comentário do Catecismo ao mandamento contra a cobiça dos bens alheios: o desapego, o desejo espiritual e a pobreza de coração.

Os Dez Mandamentos: o nono mandamento
Catecismo
O comentário do Catecismo ao mandamento contra a cobiça da carne: a purificação do coração e o combate contra a concupiscência.

O primeiro mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas
Crisma
Adorar somente a Deus pela virtude da religião, distinguindo latria, dulia e hiperdulia, e evitar a idolatria e a superstição.
