Concílios
Niceia II e a veneração das imagens sagradas
O Segundo Concílio de Niceia (787) encerrou a primeira fase da controvérsia iconoclasta bizantina, definindo que as imagens sagradas podem ser veneradas, mas não adoradas como só a Deus é devido.
- Anos
- 787
- Local
- Niceia, Bitínia (atual İznik, Turquia)
Depois de mais de sessenta anos em que imperadores bizantinos como Leão III e Constantino V baniram e destruíram imagens sagradas como forma de idolatria, o Segundo Concílio de Niceia — convocado pela imperatriz-regente Irene com o apoio do patriarca Tarásio de Constantinopla e confirmado pelo papa Adriano I — reuniu cerca de 350 bispos em 787 para restaurar oficialmente a veneração dos ícones nas igrejas do Império.
O concílio distinguiu com precisão a «veneração» (em grego, «proskynesis») devida às imagens de Cristo, de Nossa Senhora, dos anjos e dos santos, da «adoração» («latreia») que é devida somente a Deus: quem venera uma imagem presta homenagem, através dela, à pessoa que ela representa, sem que a tábua pintada ou a superfície esculpida sejam, em si, objeto de culto. Niceia II definiu ainda que se deve colocar imagens sagradas nas igrejas, sobre vasos e vestes litúrgicas, paredes e residências — base doutrinal que a Igreja Católica ainda invoca para justificar teologicamente o uso de imagens, estátuas e ícones no culto e na devoção popular.
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