Catecismo · Parte 56
A criação do mundo por Deus
O Catecismo sobre a criação como obra livre e boa da Trindade, a partir do nada, e sobre a providência divina diante do mistério do mal.
- Parte
- 56
- Parágrafos
- CIC 279-314
Depois de tratar do mistério trinitário, o Catecismo volta-se para a obra da criação: o mundo não é uma emanação necessária de Deus, nem existe por acaso, mas procede livremente da bondade divina, «do nada» (ex nihilo) e não de uma matéria preexistente. Criar é, para Deus, dar a existência a algo inteiramente distinto de si, mas que O reflete e é chamado a compartilhar de sua bondade — «Deus viu que tudo era muito bom» (Gn 1,31).
O texto insiste em que a criação é obra comum das três Pessoas da Trindade — «uma só é a operação do Pai, do Filho e do Espírito Santo na criação» — e explica que Deus não abandona o mundo criado à própria sorte: exerce sobre ele uma providência amorosa e constante, conduzindo a criação e a história humana ao fim que estabeleceu, ainda que os caminhos concretos dessa providência muitas vezes escapem ao entendimento humano.
É neste ponto que o Catecismo enfrenta diretamente o problema do mal e do sofrimento diante de um Deus criador todo-poderoso e bom, remetendo sua resposta plena ao mistério pascal de Cristo: só à luz da fé se pode acolher, sem uma resposta filosófica completa, que Deus soube tirar um bem maior até do maior dos males morais, o abandono do próprio Filho na cruz.
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