Cardeais
Rafael Merry del Val
Cardeal espanhol (1865–1930), Secretário de Estado de São Pio X e uma das figuras centrais da luta contra o modernismo, criado cardeal aos 38 anos no consistório de 1903.

- Ordem cardinalícia
- Cardeal-presbítero
- País
- Espanha
- Criação
- 1903
- Papa criador
- Pio X
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Rafael Merry del Val y Zulueta nasceu em Londres, na embaixada da Espanha, em 10 de outubro de 1865, filho do diplomata e marquês espanhol Rafael Merry del Val e de Josefina de Zulueta; de origem anglo-espanhola, recebeu o nome completo de batismo Rafael María José Pedro Francisco de Borja Domingo Gerardo de la Santísima Trinidad. Fez carreira curial notavelmente rápida: foi camareiro secreto aos 21 anos, delegado apostólico no Canadá aos 31 e, com 34 anos, presidente da Academia dos Nobres Eclesiásticos e arcebispo titular de Niceia. Ainda diácono, foi o secretário do conclave de 1903 que elegeu Giuseppe Sarto como Pio X.
Apenas alguns meses depois, no consistório de 9 de novembro de 1903, Pio X criou-o cardeal-presbítero com o título de Santa Praxedes, recebendo o barrete em 12 de novembro. No mesmo dia foi nomeado Secretário de Estado, prefeito da Congregação de Loreto e prefeito do Palácio Apostólico — cargo que ocupou até 20 de agosto de 1914, véspera da morte do papa. Seu lema episcopal era "Da mihi animas cetera tolle" ("Dá-me as almas, o resto toma").
Como Secretário de Estado e, desde 1914, Secretário da Congregação do Santo Ofício (sob Bento XV e Pio XI, que então reservavam a si a prefeitura do dicastério), Merry del Val foi um dos principais executores da repressão ao modernismo. Esteve ligado ao decreto Lamentabili e à encíclica Pascendi Dominici gregis (ambos de 1907) e à imposição do juramento antimodernista de 1910. Embora mantivesse distância das atividades mais extremadas da rede integralista Sodalitium Pianum, dirigida por Umberto Benigni — que em 1911 se separou da estrutura da Secretaria de Estado —, sua linha conservadora marcou a política eclesiástica da época; também foi ele quem expôs a Theodor Herzl, em nome da Santa Sé, a política de "non possumus" diante do nascente movimento sionista.
Participou do conclave de 1914, que elegeu Bento XV. Foi ainda arcipreste da Basílica de São Pedro e prefeito da Fábrica de São Pedro (1914) e camerlengo do Colégio Cardinalício entre 1911 e 1912. Morreu em Roma em 26 de fevereiro de 1930. Seu processo de beatificação foi introduzido junto à Congregação dos Ritos em 1953.
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