Calendário Litúrgico
O Calendário Ambrosiano
A Arquidiocese de Milão segue, com aprovação da Igreja, um calendário e um rito litúrgico próprios, distintos do Rito Romano, entre outras diferenças, com um Advento de seis semanas.

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O Rito Ambrosiano, chamado assim em honra a Santo Ambrósio de Milão, é um rito litúrgico latino particular, próprio da Arquidiocese de Milão e de algumas áreas vizinhas, expressamente reconhecido e protegido pelo Concílio Vaticano II. Embora o nome remeta a Santo Ambrósio, bispo de Milão entre 374 e 397, o primeiro desenvolvimento do rito remonta ao episcopado de Santo Eusébio (449-462). Quando o papa Gregório I, no fim do século VI, reordenou e estendeu a liturgia romana a toda a Igreja latina, o rito ambrosiano conseguiu sobreviver à romanização, ao lado do rito mozarábico espanhol.
Sua legitimação definitiva veio com a bula Quo primum de Pio V (1570), que, ao impor o Missal Romano tridentino, abriu exceção às Igrejas que pudessem comprovar mais de duzentos anos de uso ininterrupto de um rito próprio — condição que Milão invocou com sucesso. Das antigas liturgias latinas não romanas, o ambrosiano é hoje a única empregada de modo comum e diário em seu território histórico e a única que foi reformada segundo as prescrições do Concílio Vaticano II. O arcebispo de Milão tem o título de "chefe do rito".
Seu calendário próprio difere do romano em vários pontos, sendo o mais notado a duração do Advento: seis domingos, em vez de quatro, começando no domingo mais próximo de 12 de novembro — cerca de duas semanas antes do início do Advento romano. O sexto domingo é dedicado à solenidade da Divina Maternidade da Bem-aventurada Virgem Maria. Quando a Vigília de Natal cai num domingo, ela perde o caráter vigiliar e é celebrada com rito dominical, sob a designação de "domingo prenatalício".
A Quaresma e a Semana Santa ambrosianas também seguem sequência própria de dias e leituras: o rito começa na chamada "Quaresma autêntica" apenas no primeiro domingo, precedida pelas férias "após as cinzas"; e a Semana Santa tem um ordenamento distinto do Missal Romano. Preserva assim uma das mais antigas tradições litúrgicas particulares ainda vivas dentro da Igreja latina.
Fontes
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