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Bíblia

1 Timóteo

Carta dirigida a Timóteo, em Éfeso, com orientações sobre a organização das comunidades, os requisitos de bispos e diáconos e o combate aos falsos mestres.

1 Timóteo
Testamento
Novo Testamento
Gênero literário
Epístola pastoral
Autor tradicional
Tradicionalmente atribuída a Paulo (autoria discutida)
Composição
final do século I d.C. (na hipótese de pseudonímia) ou anos 60

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A Primeira Carta a Timóteo integra, com a Segunda a Timóteo e a Carta a Tito, o grupo das três "cartas pastorais". O nome deriva do fato de se dirigirem a colaboradores encarregados do cuidado (pastoreio) das comunidades e de conterem instruções sobre as qualificações e responsabilidades dos que nelas exercem o governo. A carta apresenta-se como enviada pelo apóstolo Paulo ao seu "verdadeiro filho na fé", Timóteo, que ele teria deixado em Éfeso para combater o ensino desviante (1Tm 1,3). Timóteo fora encontrado por Paulo em Listra, na segunda viagem missionária, e se tornara seu colaborador mais próximo.

O documento abre sem a habitual ação de graças — detalhe que os comentaristas destacam como sinal da urgência do problema — e vai direto à ordem de enfrentar os falsos mestres, descritos como dedicados a fábulas, genealogias e a uma ascese mal orientada. A carta trata da oração por todos os homens e do comportamento adequado na assembleia (cap. 2), dos requisitos morais para bispos (epískopoi, "vigilantes") e diáconos (diákonoi), que deviam ser "irrepreensíveis", casados com uma só mulher e capazes de governar bem a própria casa (1Tm 3,1-13), do cuidado das viúvas, dos presbíteros e do perigo da riqueza (caps. 5–6). A eclesiologia aqui é mais estruturada do que nas cartas paulinas indiscutidas, o que tem peso no debate sobre a autoria: ao lado dos bispos e diáconos, aparecem os presbíteros e as viúvas como grupos com funções reconhecidas na comunidade, formando um retrato de igreja já institucionalizada.

A autoria paulina é afirmada no próprio texto (1,1), mas esteve aberta a discussão já na Antiguidade cristã. A partir do século XIX, boa parte da crítica passou a considerar as pastorais obra de um autor desconhecido, escrita entre o fim do século I e meados do II. Entre os argumentos estão o vocabulário e o estilo diferentes das cartas indiscutíveis de Paulo, a estrutura eclesial mais desenvolvida e o combate a um ensino de feições que lembram o gnosticismo nascente. Alguns estudiosos propuseram que o verdadeiro autor teria sido Policarpo de Esmirna, o que situaria a composição por volta de 140 d.C.; outros defendem uma "teoria dos fragmentos", segundo a qual a carta reuniria bilhetes autênticos de Paulo costurados por um discípulo. Um número menor, porém persistente, de autores sustenta a autoria paulina direta, com datação em torno de 62-64 d.C.

Um dos trechos mais discutidos de todo o Novo Testamento encontra-se em 1Tm 2,11-15, que trata do silêncio e da submissão das mulheres e do ensino da autoridade. A interpretação católica tradicional vê aí uma ordenação sobre o governo e o ensino na assembleia; muitos exegetas modernos, porém, sublinham o contexto específico de Éfeso, cidade marcada pelo culto de Ártemis, cujo templo era uma das sete maravilhas do mundo antigo, e onde fermentava um ensino falso do qual as mulheres eram antes destinatárias que promotoras. A passagem sobre as mulheres que "se salvarão pela maternidade" (2,15) é por vezes lida à luz desse ambiente. Igualmente debatido é 1Tm 3,11, onde alguns traduzem "mulheres" como as esposas dos diáconos e outros como mulheres que exerciam o diaconato, à semelhança de Febe, "diaconisa" mencionada em Rm 16,1. O texto, portanto, foi e continua sendo lido de modos divergentes dentro e fora da Igreja.

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