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Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
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Apologética

Como a Igreja pode dizer que o Papa é infalível se vários papas levaram vidas moralmente escandalosas?

Infalibilidade e impecabilidade são conceitos distintos: o dogma de 1870 garante imunidade ao erro em definições solenes de fé e moral, não a ausência de pecado pessoal do papa.

Objeção
Papas como Alexandre VI tiveram vidas pessoais claramente pecaminosas — isso não contradiz a infalibilidade papal?

A objeção costuma confundir dois conceitos teológicos distintos: infalibilidade e impecabilidade. Impecabilidade seria a incapacidade de pecar — algo que a Igreja jamais atribuiu a nenhum papa. Infalibilidade, definida solenemente pelo Concílio Vaticano I na constituição "Pastor Aeternus" (1870), é a garantia, dada pela assistência do Espírito Santo, de que o papa não erra ao definir solenemente, "ex cathedra", como pastor e doutor supremo de todos os cristãos, uma doutrina de fé ou moral a ser sustentada por toda a Igreja — uma condição estrita, raramente invocada de modo formal ao longo da história.

Casos como o do Papa Alexandre VI (1492-1503), cuja vida pessoal — filhos fora do celibato, nepotismo, imersão nas intrigas políticas italianas de sua época — é reconhecida pela própria historiografia católica como um dos episódios mais escandalosos do papado, ilustram exatamente essa distinção: por mais grave que tenha sido sua conduta pessoal, ele não chegou a definir nenhuma doutrina herética como dogma de fé em nome da Igreja. A tradição católica lê a persistência da Igreja apesar da fraqueza pessoal, às vezes extrema, de alguns de seus papas, como um sinal, e não uma refutação, de que sua unidade doutrinal última não depende da santidade pessoal de cada sucessor de Pedro, mas da promessa de Cristo a Pedro (Lc 22,32) e à Igreja (Mt 16,18).

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