Apologética
A Inquisição matou milhões de pessoas, como sugere o senso comum?
Estudos históricos baseados nos próprios arquivos da Inquisição, abertos pelo Vaticano em 1998, apontam números de execuções bem menores do que a chamada "lenda negra" difundiu.
- Objeção
- Não foi a Inquisição responsável pela morte de milhões de pessoas consideradas hereges?
A imagem popular da Inquisição como uma máquina de extermínio em massa — muitas vezes citando números na casa dos milhões — foi em grande parte moldada pela chamada "lenda negra", propaganda produzida sobretudo por potências rivais da Espanha a partir do século XVI. Desde que o Vaticano abriu seus arquivos sobre o tema a historiadores em 1998, estudos acadêmicos sérios revisaram substancialmente esses números: o historiador italiano Agostino Borromeo, num estudo apresentado num simpósio histórico convocado por João Paulo II em 2004, calculou que, dos cerca de 125 mil processos julgados pela Inquisição espanhola ao longo de sua história, aproximadamente 1% terminou em execução — algo em torno de 1.250 casos ao longo de mais de três séculos.
O historiador britânico Henry Kamen, uma das maiores autoridades no tema, chegou a uma estimativa semelhante, de no máximo cerca de três mil execuções em toda a história do tribunal espanhol, e observou que, comparados a tribunais civis contemporâneos, os tribunais inquisitoriais aplicavam a pena capital proporcionalmente com bem menos frequência. Isso não torna a Inquisição uma instituição sem graves problemas — o uso de tortura em interrogatórios e a própria existência de tribunais religiosos com poder de coerção civil são hoje reconhecidos como incompatíveis com a liberdade religiosa ensinada pelo Concílio Vaticano II —, mas contradiz diretamente os números inflacionados que ainda circulam popularmente.
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