Ir para o conteúdo

Catálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica

CompêndioCatólico

Apologética

Homens casados podem ser ordenados diáconos na Igreja Católica?

Desde 1967, a Igreja latina restabeleceu o diaconato permanente, aberto também a homens casados de idade madura — uma disciplina distinta da exigida para o presbiterado, que permanece ligada ao celibato.

Objeção
Se o celibato é exigido do clero católico, como existem diáconos permanentes casados?

Tamanho do texto

É comum supor que toda ordenação na Igreja latina exige celibato, o que gera estranheza diante da existência de diáconos permanentes casados nas paróquias. A explicação está numa distinção que o Concílio Vaticano II tornou possível. A Constituição dogmática «Lumen Gentium», promulgada por Paulo VI em 21 de novembro de 1964 (aprovada pelos bispos reunidos por 2.151 votos a 5), prevê no n. 29 que, sendo os deveres diaconais necessários à vida da Igreja difíceis de cumprir em muitas regiões segundo a disciplina vigente, «o diaconato possa no futuro ser restabelecido como grau próprio e permanente da hierarquia». O mesmo número determina que, com o consentimento do Romano Pontífice, esse diaconato possa ser conferido «a homens de idade mais madura, mesmo aos que vivem no estado matrimonial», ao passo que, para os jovens admitidos, «a lei do celibato deve permanecer íntegra». Cabe notar o contexto histórico: o diaconato existira como estado estável nos primeiros séculos (há bispos e até papas que foram diáconos), mas na Igreja latina medieval acabou reduzido a etapa transitória rumo ao presbiterado — foi justamente essa situação que o Concílio quis reverter.

A regulamentação veio com a carta apostólica «Sacrum Diaconatus Ordinem», de Paulo VI, dada em motu proprio em 18 de junho de 1967, que restabeleceu o diaconato permanente na Igreja latina. O documento especifica que homens casados só sejam promovidos ao diaconato se, após muitos anos de vida matrimonial, tiverem demonstrado governar bem a própria casa e tiverem esposa e filhos de vida cristã exemplar (n. 13); e que os homens de idade madura, celibatários ou casados, podem ser chamados, não sendo os casados admitidos «a menos que haja certeza não apenas do consentimento da esposa, mas também de sua vida cristã irrepreensível» (n. 11). O mesmo documento determina que o diácono casado que enviuvar não pode contrair novo matrimônio (n. 16). No ano seguinte, a Constituição apostólica «Pontificalis Romani Recognitio» (17 de junho de 1968) aprovou o novo rito de ordenação do diácono, do presbítero e do bispo.

Uma segunda etapa normativa veio com a carta apostólica «Ad Pascendum», também de Paulo VI, de 15 de agosto de 1972, que estabeleceu normas complementares sobre o diaconato, incluindo o rito próprio de admissão dos candidatos e detalhes sobre o ministério e a vida dos diáconos casados. Mais tarde, em 1998, a Santa Sé publicou as «Normas Fundamentais para a formação dos diáconos permanentes», que definiram o serviço como eixo da espiritualidade diaconal e exigiram dos diáconos casados, à semelhança dos demais, uma intensa vida de oração e a «unidade de vida» entre ministério, família e trabalho.

Na prática, o diácono permanente exerce ministérios como a proclamação do Evangelho, a pregação, a administração do Batismo, a assistência ao Matrimônio em nome da Igreja, a distribuição da Comunhão e a obra de caridade, sem acesso ao presbiterado. Um diácono casado que enviuvar não pode contrair novo matrimônio (cf. «Sacrum Diaconatus Ordinem», n. 16), e a disciplina do celibato permanece a regra geral para quem é ordenado já solteiro, seja diácono permanente jovem, seja presbítero. A distinção, portanto, não é entre ser ou não casado, mas entre o diaconato — que admite homens casados de idade madura — e o presbiterado, para o qual a Igreja latina mantém a disciplina do celibato.

Fontes

(5)
  • Concílio Vaticano II, «Lumen Gentium» (promulgada por Paulo VI em 21 de novembro de 1964; votação de 2.151 a 5), n. 29
  • Paulo VI, carta apostólica «Sacrum Diaconatus Ordinem» (18 de junho de 1967), nn. 11, 13 e 16 (AAS 59, 697-704)
  • Paulo VI, carta apostólica «Ad Pascendum» (15 de agosto de 1972), AAS 64, 534-540
  • Paulo VI, Constituição apostólica «Pontificalis Romani Recognitio» (17 de junho de 1968)
  • Santa Sé, «Normas Fundamentais para a formação dos diáconos permanentes» (1998)

Temas relacionados

Cada tema abre a busca por ele em todas as categorias do acervo.

Continue sua leitura

← Todas as entradas de Apologética