Ir para o conteúdo
Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
Acender uma vela

Terra Santa

Monte Tabor

Monte isolado da Baixa Galileia, venerado como o local tradicional da Transfiguração de Jesus e palco, ao longo dos séculos, de episódios bíblicos, monásticos e militares.

Monte Tabor
Foto: gugganij, 2007, Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.5
Local
Monte Tabor
País
Israel
Tipo de local
monte

Tamanho do texto

Isolado na planície de Jezreel, cerca de 8 km a leste de Nazaré e com cerca de 588 metros de altitude, o monte Tabor ergue-se como um cone arredondado que se impõe na paisagem da Baixa Galileia. A tradição cristã identifica-o desde os primeiros séculos como o "monte alto" onde Jesus se transfigurou diante de Pedro, Tiago e João, aparecendo em glória ao lado de Moisés e Elias (Mt 17,1-8; Mc 9,2-8; Lc 9,28-36), ainda que os Evangelhos não nomeiem expressamente a montanha.

O Antigo Testamento já associa o Tabor a episódios decisivos: é o monte onde Débora e Baraque derrotaram Sísera, general de Jabin (Jz 4), na tradição situado na região. Por sua posição estratégica, o cume serviu repetidamente de fortaleza e refúgio: foi muralhado na época de Flávio Josefo, durante a guerra contra os romanos, e novamente na era cruzada, de cujas fortificações restam vestígios. Posteriormente, o monte foi palco de um episódio militar moderno: em 16 de abril de 1799, na campanha napoleônica do Egito e da Síria, forças francesas comandadas por Jean-Baptiste Kléber, socorridas por Napoleão Bonaparte, derrotaram um exército otomano muito superior em número reunido ao pé do Tabor, ação que permitiu a continuidade do cerco de Acre.

No plano religioso, sobre o cume construíram-se sucessivamente oratórios e mosteiros: há testemunhos de um mosteiro bizantino e, mais tarde, de uma comunidade beneditina e de um mosteiro cruzado. Em 1631 o monte foi confiado aos franciscanos da Custódia da Terra Santa, que nele permanecem, e o lugar conheceu, ao longo dos séculos, disputas diplomáticas por sua posse e uso. A área hoje cercada de muros abriga o santuário franciscano e um santuário ortodoxo grego vizinho.

A atual Basílica da Transfiguração foi erguida entre 1921 e 1924, em estilo sírio-romano, e foi a primeira grande obra do arquiteto italiano Antonio Barluzzi na Terra Santa, dando início a uma colaboração de mais de uma década com os franciscanos. A basílica levanta-se sobre o local venerado desde a era bizantina e incorpora ruínas de igrejas anteriores. As duas torres sineiras elevam-se sobre os antigos oratórios de Moisés e Elias, e as capelas laterais permanecem dedicadas a esses dois personagens que apareceram ao lado de Jesus. O interior, dividido em três naves, tem ao centro, atrás do altar, o mosaico da Transfiguração; os mosaicos, executados pela firma Monticelli a partir de desenhos preparatórios de Rodolfo Villani, e os vitrais com pavões compõem um programa iconográfico trinitário, com a capela de Maria voltada ao Pai e a do Espírito Santo ao Espírito representado pela pomba. Em 2024 a Custódia celebrou o centenário da basílica.

Continue sua leitura

← Todas as entradas de Terra Santa