Terra Santa
Caná da Galileia
Vilarejo da Galileia onde Jesus realizou seu primeiro sinal, transformando água em vinho num casamento; a identificação do sítio divide os estudiosos entre Kafr Kanna e Khirbet Qana.

- Local
- Caná (Kafr Kanna)
- País
- Israel
- Tipo de local
- cidade
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Caná é o cenário do primeiro sinal público de Jesus: a transformação da água em vinho num banquete de casamento, obtida por intercessão de Maria (Jo 2,1-11). O episódio é lido pela tradição como revelação messiânica e antecipação do banquete eucarístico, além de fundamento bíblico da dignidade do matrimônio. O evangelista apresenta o milagre como "princípio dos sinais" (Jo 2,11), ponto de partida da manifestação da glória de Cristo.
A localização exata do sítio é objeto de debate antigo. A tradição ocidental fixou-se em Kafr Kanna, vilarejo a cerca de 7 km a nordeste de Nazaré, identificação que remonta a fontes do século VIII e foi reforçada pela facilidade de acesso dos peregrinos medievais. Escavações, porém, nunca encontraram ali vestígios de um povoado judaico do período romano. Desde 1998, sob a direção de Douglas Edwards e depois de Tom McCollough, as escavações em Khirbet Qana — ruínas a cerca de 9 km mais ao norte — revelaram um sítio ocupado de modo predominante por judeus entre cerca de 323 a.C. e 324 d.C., com sinagoga, moedas do período macabeu e inscrições em grego coiné com a fórmula "Kyrios Iesou" ("Senhor Jesus") e cruzes gravadas nas paredes, indício de veneração cristã muito precoce. O historiador James Tabor observa que a preferência medieval por Kafr Kanna pode ter sido prática antes que precisa, dado o relevo acidentado de Khirbet Qana.
Em Kafr Kanna, a Custódia da Terra Santa mantém a Igreja Franciscana das Bodas. Os franciscanos iniciaram a aquisição do terreno em 1641 e a concluíram em 1879, por obra do padre Egidio Geisser, fundador da paróquia latina local; uma pequena igreja foi erguida em 1880 e ampliada entre 1897 e 1905. A fachada atual data de 1901 e, em 30 de setembro de 1906, o então bispo Angelo Roncalli — futuro Papa João XXIII — consagrou o altar. Em 1885 foi erguida, a cerca de cem metros, uma capela dedicada a São Bartolomeu (Natanael), um dos Doze, natural de Caná (cf. Jo 21,2). O templo foi amplamente restaurado na segunda metade dos anos 1990, com obras concluídas em 1999. A comunidade católica local reúne hoje cerca de uma centena de famílias.
As escavações dirigidas pelo padre Stanislao Loffreda (1969) e pelo padre Eugenio Alliata (1997) demonstraram que sobre ruínas de casas dos séculos I a IV foi construída uma sinagoga (séculos IV-V) com átrio porticado e uma grande cisterna, ainda conservada no subsolo da igreja; também foram encontrados sepulcros bizantinos dos séculos V-VI. A tradição de peregrinação é antiga: um peregrino anônimo do século VI relata ter chegado a Caná, sentado-se no lugar das bodas, encontrado duas das talhas de pedra, enchido uma delas de vinho e oferecido no altar. Todos os anos, no domingo seguinte à festa do Batismo do Senhor, a paróquia latina celebra o aniversário do milagre com missa e renovação das promessas matrimoniais de casais.
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