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Compêndio CatólicoCatálogo de consulta · fé, doutrina e vida católica
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Pecados

Ingratidão

Pecado especial, oposto à virtude da gratidão, pelo qual o homem não reconhece, não agradece ou não retribui os benefícios recebidos, pecando contra a justiça devida ao benfeitor. Santo Tomás trata-o na Suma Teológica II-II, q. 106-107, e a parábola dos dez leprosos (Lc 17,11-19) o ilustra no Evangelho.

Ingratidão
Virtude oposta
Gratidão

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A ingratidão (em latim ingratitudo) é o vício oposto à gratidão, a qual Santo Tomás de Aquino dedica as Questões 106 e 107 da Segunda Parte da Segunda Parte da Suma Teológica. A gratidão é, para o Aquinate, uma virtude especial anexa à justiça: reconhecer e retribuir o benefício recebido é uma dívida moral. Por isso, ele define a ingratidão como o pecado que, mais propriamente que qualquer outro vício, falta à gratidão, e conclui que, assim como a gratidão é uma virtude especial, também a ingratidão é um pecado especial.

Santo Tomás distingue graus na gratidão, e a ingratidão mede-se pela ordem inversa desses graus: o primeiro consiste em reconhecer o benefício recebido; o segundo, em louvar e agradecer por ele; o terceiro, em retribuir no lugar e no momento oportunos, conforme os próprios meios. Como aquilo que é último na geração é primeiro na dissolução, o primeiro grau da ingratidão é a falta de retribuição; o segundo é a dissimulação, ou seja, o não demonstrar ter recebido o benefício; e o terceiro, mais grave, é não reconhecer o benefício, por esquecimento ou qualquer outro modo (cf. II-II, q. 107, a. 2). Ele acrescenta que o ingrato peca contra a justiça, pois nega o que é devido ao benfeitor.

Nas Escrituras, a ingratidão aparece como marca do coração endurecido. O exemplo evangélico clássico é a cura dos dez leprosos (Lc 17,11-19): dos dez curados, apenas um — e estrangeiro, samaritano — voltou para dar graças, e Jesus observou a ausência dos outros nove. A Igreja leu nessa passagem a imagem viva da ingratidão, contraposta à gratidão que reconhece e agradece o dom divino.

A virtude oposta é a gratidão, que não é mero sentimento, mas virtude moral enraizada na justiça e na caridade, pela qual se reconhece a dívida para com o benfeitor e se retribui com ação de graças. Aplica-se em primeiro lugar a Deus, fonte de todo bem, e se estende ao próximo.

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