Vida Litúrgica
Os Ritos Iniciais da Missa
Sequência de abertura da Missa — entrada, saudação, ato penitencial, Kýrie, Glória e oração coleta — que reúne a assembleia e a dispõe para ouvir a Palavra e celebrar a Eucaristia.

- Parágrafos
- CIC 1348-1349
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Os Ritos Iniciais precedem a Liturgia da Palavra e têm, segundo a definição da própria Instrução Geral do Missal Romano (IGMR, n. 46), "o caráter de exórdio, introdução e preparação". Sua finalidade é fazer com que os fiéis, reunindo-se em assembleia, constituam uma comunhão entre si e se disponham para ouvir atentamente a Palavra de Deus e celebrar dignamente a Eucaristia. A sequência compreende: a entrada (com o canto de entrada e a procissão), a saudação do altar e da assembleia, o ato penitencial, o "Kýrie" (Senhor, tende piedade), o hino do "Glória" e a oração coleta. Em algumas celebrações que, por norma dos livros litúrgicos, se ligam à Missa, os ritos iniciais são omitidos ou realizados de modo próprio (n. 46).
A entrada abre o rito: enquanto o sacerdote avança com o diácono e os ministros, entoa-se o canto de entrada, cuja função é abrir a celebração, fomentar a união dos fiéis e introduzi-los no mistério do tempo litúrgico. Chegando ao altar, o sacerdote e os ministros fazem inclinação profunda e o sacerdote beija o altar em sinal de veneração. Segue-se a saudação — normalmente "O Senhor esteja convosco", à qual o povo responde "Ele está no meio de nós" — e, quando previsto, uma breve monição de introdução. O sacerdote, de pé, faz o sinal da cruz: "Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo".
O ato penitencial convida a assembleia a reconhecer seus pecados e a pedir perdão antes de prosseguir; pode assumir várias formas (o "Confesso a Deus" com o "Senhor, tende piedade", ou fórmulas com invocações). A ele se segue o Kýrie, aclamação pela misericórdia de Deus, herdada diretamente da liturgia grega antiga: cada aclamação (Kýrie eléison, Christe eléison) diz-se normalmente duas vezes — número que pode aumentar conforme a índole da língua ou a música — e, quando o Kýrie é cantado como parte do ato penitencial, cada aclamação é precedida de um "tropo" (n. 52). O Glória, desejando-o a IGMR (n. 53), é "um antiquíssimo e venerável hino com que a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro"; não é permitido substituir seu texto, e ele é entoado nos domingos (exceto os do Advento e da Quaresma) e nas festas e solenidades. Encerra o conjunto a oração coleta — assim chamada porque "recolhe" (coletar) as preces da assembleia —, precedida da invocação "Oremos" e de um momento de silêncio, e proferida pelo sacerdote de braços abertos.
A estrutura atual resulta de uma longa história. A aclamação Kýrie eleison, de origem grega, foi incorporada muito cedo à liturgia romana e permaneceu em grego mesmo em Roma; o Glória in excelsis, também de raiz grega, entrou no uso romano por volta dos séculos IV-V e continuou, na tradição latina, sendo um cântico reservado às celebrações mais solenes. No Missa tridentina, o canto de entrada (Intróito) tinha posição peculiar: em Missa rezada o sacerdote o lia somente depois das orações ao pé do altar, e até 1908 — até que São Pio X restaurou o arranjo antigo —, mesmo nas Missas cantadas, o coro começava o Intróito apenas depois de o sacerdote ter iniciado aquelas orações, para que se ligasse à procissão de entrada. O Concílio Vaticano II, na Sacrosanctum Concilium, e a revisão do Missal por Paulo VI reorganizaram esses elementos na forma hoje descrita pela IGMR.
O Catecismo da Igreja Católica insere este conjunto no coração da economia sacramental: a Eucaristia é "fonte e ápice de toda a vida cristã" (cf. Lumen gentium, 11) e a assembleia que se reúne para celebrá-la constitui a comunhão do povo de Deus (§1324, §1348). Os ritos iniciais, nesse sentido, não são um simples preâmbulo: são o momento em que a comunidade se constitui como corpo reunido pelo Senhor, antes de escutar sua Palavra e de participar do sacrifício e do banquete eucarístico.
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