Jesus Cristo
As Duas Vontades de Cristo (Diotelismo)
Dogma definido no III Concílio de Constantinopla (681) segundo o qual Cristo, por ter duas naturezas, possui também duas vontades — divina e humana —, unidas sem confusão nem oposição.
- Tipo
- Dogma cristológico
- Referência bíblica
- Lucas 22,42
- Parágrafos
- CIC 475
Depois de Calcedônia (451) ter definido as duas naturezas de Cristo unidas numa só Pessoa, surgiu no século VII a controvérsia do monotelismo, que, buscando uma via de conciliação com os monofisitas, sustentava que em Cristo havia apenas uma única vontade e operação. O III Concílio de Constantinopla, sexto concílio ecumênico, reunido em 680-681, condenou o monotelismo e definiu o diotelismo (do grego "dýo thelémata", duas vontades): Cristo tem uma vontade divina, que compartilha com o Pai e o Espírito Santo, e uma vontade humana verdadeira, criada e livre — "não opostas, mas a vontade humana seguindo, sem resistência nem relutância, [...] a vontade divina e onipotente", segundo a fórmula conciliar.
A base escriturística mais citada para o dogma é a oração de Jesus no Getsêmani: "Pai, se queres, afasta de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua" (Lc 22,42) — texto em que se distinguem claramente duas vontades reais, e não apenas retórica, sob o comando final da vontade divina. Negar a vontade humana de Cristo esvaziaria sua humanidade concreta, tornando incompleta a redenção, já que — como diziam os Padres — "o que não foi assumido não foi curado".
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