Doutrina Social · Princípio 6
Opção Preferencial pelos Pobres
O chamado a colocar as necessidades dos pobres e vulneráveis no centro das decisões morais, sociais e econômicas, entendido como primado na prática da caridade cristã e não como categoria sociológica ou política.

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A "opção preferencial pelos pobres" é uma das expressões mais características da doutrina social contemporânea. Sua formulação nasceu na América Latina: ainda que a II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Medellín (1968), não use literalmente o termo "opção", ela já fala em "visar preferencialmente os setores mais pobres e necessitados" — o documento de Medellín menciona a palavra "pobre(s)" ao menos 66 vezes e "pobreza" no mínimo 33 vezes. Foi na III Conferência, em Puebla (1979), que a expressão "opção preferencial pelos pobres" foi efetivamente cunhada, para reafirmar a continuidade com Medellín. Puebla liga essa opção à conversão de toda a Igreja e à promoção integral do ser humano.
O magistério pontifício acolheu a expressão. João Paulo II a assumiu na encíclica "Sollicitudo Rei Socialis" (1987), no número 42, sob a forma de "opção ou amor preferencial pelos pobres", definindo-a como "uma forma especial de primado na prática da caridade cristã, testemunhada por toda a Tradição da Igreja". O texto acrescenta que tal opção concerne "a vida de cada cristão, enquanto deve ser imitação da vida de Cristo", e se aplica às responsabilidades sociais, ao uso dos bens e às decisões econômicas e políticas, tendo em conta, no mundo atual, "as imensas multidões de famintos, de mendigos, sem-teto, sem assistência médica e, sobretudo, sem esperança de um futuro melhor".
Essa acolhida não se deu sem controvérsia. Em 6 de agosto de 1984, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou, com autorização de João Paulo II e sob a assinatura do prefeito, o cardeal Joseph Ratzinger, a Instrução "Libertatis Nuntius" sobre alguns aspectos da teologia da libertação. O documento "reafirma com vigor e sem meios-termos" a opção preferencial pelos pobres, mas adverte contra correntes que a reduziam a um "evangelho puramente terrestre" e faziam uso "insuficientemente crítico" de conceitos do pensamento marxista. A instrução lembra que a opção definida em Puebla era "dupla: pelos pobres e pelos jovens", e insiste que os desvios ideológicos "levam inevitavelmente a trair a causa dos pobres". Em 1986, a instrução "Libertatis Conscientia" completou a orientação, e, mais tarde, Ratzinger (então Bento XVI) diria que a opção "está implícita na fé cristológica naquele Deus que Se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com sua pobreza".
Francisco retomou e consolidou o tema. Na exortação "Evangelii Gaudium" (2013), n. 198, afirma que "para a Igreja, a opção pelos pobres é mais uma categoria teológica que cultural, sociológica, política ou filosófica", e sintetiza o propósito num programa pastoral: "desejo uma Igreja pobre para os pobres". O texto insiste que "a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual" (n. 200) e que a opção "deve traduzir-se, principalmente, numa solicitude religiosa privilegiada e prioritária". A expressão não significa exclusão de outros grupos, mas prioridade moral: diante de qualquer decisão econômica, política ou pastoral, pede-se avaliar primeiro seu impacto sobre os mais pobres. Enraíza-se na prática do próprio Jesus, que anunciou a boa nova primeiramente aos pobres (Lc 4,18), e no ensinamento profético do Antigo Testamento sobre a justiça devida ao órfão, à viúva e ao estrangeiro.
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