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Devoções

Via Lucis (Caminho da Luz)

Devoção de piedade popular nascida em 1988 que percorre catorze estações da Ressurreição de Cristo até Pentecostes, como complemento pascal da Via-Sacra.

Via Lucis (Caminho da Luz)
Foto de El Pantera, 2013, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Origem
Proposta pelo padre salesiano Sabino Palumbieri em 1988; reconhecida oficialmente em 2001

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A Via Lucis, ou Caminho da Luz, espelha deliberadamente a estrutura da Via-Sacra — mesmo número de estações, mesmo formato de leitura bíblica, breve meditação, oração e cântico —, mas inverte seu foco: em vez de meditar a Paixão, percorre catorze momentos da vida do Cristo ressuscitado, do túmulo vazio na manhã de Páscoa até a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos em Pentecostes. Entre as estações habitualmente incluídas estão o encontro com Maria Madalena, o caminho de Emaús e a fração do pão, a aparição aos discípulos no Cenáculo, a instituição do poder de perdoar os pecados, a fé de Tomé, a pesca milagrosa no mar de Tiberíades, a confirmação de Pedro no amor, o envio missionário, a Ascensão e a espera orante do Espírito. Importa notar que a Igreja nunca fixou uma lista oficial e universal das estações — tal como ocorreu historicamente com a própria Via-Sacra, a lista consolidou-se pela prática, e as formulações variam conforme a região e o autor; o consenso recai sobretudo sobre o número de catorze, escolhido para espelhar as estações da Cruz.

A devoção nasceu no verão de 1988 de uma proposta do padre salesiano Sabino Palumbieri, então professor de Antropologia Teológica na Pontifícia Universidade Salesiana de Roma, no contexto do movimento "Testemunhas do Ressuscitado" (Testimoni del Risorto), por ele fundado em 8 de dezembro de 1984 e reconhecido como grupo da Família Salesiana. A motivação de Palumbieri era pastoral: notava que a espiritualidade popular católica, fortemente centrada na Via-Sacra e na meditação do sofrimento de Cristo, carecia de um exercício devocional equivalente dedicado à alegria e à esperança da Ressurreição — o outro polo, igualmente central, do mistério pascal. Ainda em 1989 o sucessor de Dom Bosco, o Reitor-Mor Dom Egidio Viganò, tomou conhecimento da proposta, deixou-se envolver por ela e nomeou uma comissão teológica para estudar critérios e formulários.

A primeira celebração solene da Via Lucis ocorreu em abril de 1990, no solo das Catacumbas de São Calisto, em Roma, presidida pelo próprio Dom Viganò, por ocasião do Capítulo Geral dos salesianos. Nos anos seguintes a devoção espalhou-se por paróquias e movimentos ligados à família salesiana e recebeu reconhecimento crescente. No Jubileu do Ano Santo de 2000, a Santa Sé a inseriu no livro oficial de orações do peregrino, "Pellegrini in preghiera", recomendando-a a par da Via-Sacra e do Rosário.

O reconhecimento oficial mais amplo veio em 17 de dezembro de 2001, quando a então Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou o "Diretório sobre Piedade Popular e a Liturgia". No n. 153 desse documento, dedicado expressamente à Via Lucis, a Santa Sé observa que "um exercício de piedade chamado Via Lucis se desenvolveu e se difundiu em muitas regiões nos últimos anos" e que, "seguindo o modelo da Via-Sacra, os fiéis percorrem meditando as várias aparições de Jesus — da Ressurreição à Ascensão — nas quais ele mostrou sua glória aos discípulos". A recomendação, porém, não confere à devoção o mesmo grau de codificação universal que a Via-Sacra recebeu séculos antes.

É recomendada de modo especial no Tempo Pascal — os cinquenta dias entre a Páscoa e Pentecostes — e aos domingos, dia da semana tradicionalmente associado de modo particular à Ressurreição desde os primeiros séculos do cristianismo. Embora ainda bem menos difundida do que a Via-Sacra, a Via Lucis ganhou espaço crescente em santuários, comunidades de espiritualidade pascal e grandes encontros eclesiais, inclusive fora do âmbito salesiano de origem — como na oração presidida pelo arcebispo Rino Fisichella durante o Jubileu dos Adolescentes, em Roma, em abril de 2025.

Fontes

(5)
  • Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, «Diretório sobre Piedade Popular e a Liturgia», n. 153 (17 de dezembro de 2001)
  • Vatican News (ed. italiana), «A Roma la Via Lucis, giovani dal mondo in preghiera con i testimoni della Resurrezione» (abril de 2025)
  • Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora / cgfmanet.org, «In cammino con il Risorto», sobre a fundação do movimento Testimoni del Risorto (8 de dezembro de 1984) e a origem da Via Lucis em 1988
  • InfoANS (Agência de Notícias Salesiana), «Una nuova edizione della Via Lucis itinerante» (2024)
  • Wikipédia em espanhol, «Via Lucis», com referência ao Diretório de 2001

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