Devoções
Devoção à Divina Misericórdia
Conjunto devocional — imagem, coroazinha, festa própria e Hora da Misericórdia — centrado na confiança na misericórdia infinita de Deus.

- Origem
- Diário de Santa Faustina Kowalska (década de 1930); festa instituída por João Paulo II em 2000
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A devoção à Divina Misericórdia articula vários elementos ao redor de um único tema — a confiança incondicional na misericórdia de Deus para com todo pecador —, tal como relatado por Santa Faustina Kowalska, religiosa polonesa da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, num diário espiritual que passou a escrever a partir de 1934, por obediência a seu confessor. Em 22 de fevereiro de 1931, ela teria tido a primeira de uma série de visões de Jesus, que lhe pediu que fizesse pintar uma imagem sua tal como aparecia — vestido de branco, com raios vermelhos e brancos saindo do peito, simbolizando o sangue e a água derramados na cruz — com a inscrição "Jesus, eu confio em Vós".
O padre Michał Sopoćko, capelão do convento de Vilnius e, mais tarde, seu confessor e diretor espiritual, foi decisivo para que essas experiências fossem levadas a sério: submeteu Faustina a avaliação psiquiátrica, obteve parecer médico favorável e passou a apoiar a divulgação da devoção, encomendando em 1934 ao pintor Eugeniusz Kazimirowski a primeira imagem da Divina Misericórdia. Foi também Sopoćko quem pediu a Faustina que registrasse por escrito suas experiências, dando origem ao "Diário", publicado postumamente sob o título "A Divina Misericórdia em Minha Alma" e hoje considerado uma das obras místicas mais lidas do catolicismo contemporâneo.
A devoção reúne, a partir desse conjunto de revelações, quatro elementos principais: a imagem de "Jesus, eu confio em Vós"; a Coroazinha da Misericórdia (ver Orações), pequena oração recitada sobre as contas do terço; a prática de fazer, sempre que possível, uma breve pausa de oração às 15h — a "Hora da Misericórdia", tradicionalmente associada ao momento da morte de Cristo na cruz —; e a Festa da Divina Misericórdia, celebrada no segundo domingo da Páscoa.
A trajetória dessa devoção até o reconhecimento oficial não foi linear. Em 6 de março de 1959, o Santo Ofício, baseando-se numa tradução deficiente e incompleta do diário de Faustina, proibiu formalmente a difusão de imagens e escritos ligados à devoção nas formas por ela propostas. A proibição só foi levantada em 15 de abril de 1978, depois de uma nova tradução mais fiel ao original polonês e de gestões pessoais do então arcebispo de Cracóvia, cardeal Karol Wojtyła, que também impulsionara a causa de beatificação de Faustina. Seis meses depois de obtida essa revogação, o próprio Wojtyła seria eleito papa, com o nome de João Paulo II.
Já como papa, João Paulo II canonizou Faustina Kowalska em 30 de abril de 2000 — data que coincidia, naquele ano, com o segundo domingo da Páscoa — e aproveitou a mesma cerimônia para instituir oficialmente a Festa da Divina Misericórdia no calendário litúrgico universal, nesse mesmo domingo. Não por acaso: o próprio João Paulo II viria a falecer na véspera dessa festa, em 2 de abril de 2005, reforçando aos olhos de muitos fiéis o vínculo entre seu pontificado e essa devoção, que ele próprio ajudara a salvar de décadas de suspeita eclesiástica.
Continue sua leitura

Diário: A Misericórdia Divina em Minha Alma
Livros
Registro pessoal de Santa Faustina Kowalska sobre suas experiências místicas relacionadas à devoção da Divina Misericórdia.

Coroazinha da Divina Misericórdia
Orações
Devoção rezada com contas do terço, revelada segundo a tradição a Santa Faustina Kowalska, apelando à misericórdia divina pela Paixão de Cristo.
De Profundis (Salmo 130)
Orações
Salmo penitencial que clama a misericórdia divina desde o abismo da angústia, tradicionalmente rezado em sufrágio pelos fiéis falecidos.
Pecado contra o Espírito Santo
Pecados
A recusa deliberada e obstinada de acolher a misericórdia de Deus — considerada "imperdoável" não por limite da misericórdia divina, mas pela livre resistência do pecador a ela.
