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Crisma

O terceiro mandamento: santificar o dia do Senhor

Guardar o domingo como dia do Senhor, participando da Missa e vivendo o descanso como sinal da liberdade dos filhos de Deus.

O terceiro mandamento: santificar o dia do Senhor
Foto de Lumen roma, 2008 (CC BY 3.0)
Parágrafos
CIC 2168-2195

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O Catecismo, nos números 2168 a 2195, explica que o terceiro mandamento — «Lembra-te do dia de sábado, para o santificar» (Ex 20,8) — recolhe o preceito bíblico do descanso sabático e o transfere, na tradição cristã, para o domingo, dia em que Cristo ressuscitou. A razão da mudança é teológica e não meramente disciplinar: o domingo (do latim dies dominica, «dia do Senhor») é a Páscoa semanal, o memorial vivo da ressurreição.

O testemunho mais antigo dessa prática vem da metade do século II. Na sua Primeira Apologia, São Justino Mártir († c. 165) descreve: «No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades e nos campos, lêem-se as memórias dos Apóstolos e os escritos dos Profetas... e distribui-se e recebe-se a Eucaristia». O domingo não surge, portanto, de uma decisão tardia, mas da consciência apostólica de que a Páscoa cumpre o sábado.

O Catecismo (nn. 2180-2181) precisa o dever do preceito eucarístico: «Nos domingos e outros dias festivos de preceito, os fiéis têm obrigação de participar na Missa», e «os que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem um pecado grave». O Código de Direito Canônico (cân. 1247) confirma a mesma norma como lei universal, e o Código dos Cânones das Igrejas Orientais (cân. 881 § 1) prescreve obrigação análoga para a Divina Liturgia. O dever recai igualmente sobre os Pastores, que devem «oferecer a todos a possibilidade efetiva de satisfazer o preceito».

A doutrina foi retomada de modo sistemático pelo Papa João Paulo II na Carta Apostólica Dies Domini, de 31 de maio de 1998, sobre a santificação do domingo. Nela o Papa distingue três dimensões do dia: o domingo é «festa primordial» que revela o sentido do tempo e a Ressurreição de Cristo, é o dia da assembleia eucarística — «alma do domingo» — e é o dia da solidariedade e do repouso. Insiste ainda que o domingo não deve ser sentido apenas como preceito, mas como exigência inscrita na existência cristã: «não pode viver a sua fé, na plena participação da vida da comunidade cristã, sem tomar parte regularmente na assembleia eucarística dominical».

O descanso dominical, portanto, não é mero repouso físico nem simples interrupção do trabalho, mas expressão da liberdade dos filhos de Deus: tempo dado para a vida familiar, a cultura, a caridade e sobretudo a oração. É nesse sentido que a catequese de Crisma insiste na participação regular do crismando na Missa dominical, como sinal concreto de pertença à comunidade dos batizados.

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