Personagens Bíblicos
Maria e Marta de Betânia
Irmãs de Lázaro e hospedeiras de Jesus em Betânia, aldeia próxima de Jerusalém; cada uma representa um modo distinto e complementar de acolher e seguir o Mestre.

- Tipo
- Mulher da Bíblia
- Testamento
- Novo Testamento
- Referência bíblica
- Lucas 10,38-42; João 11
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Maria e Marta de Betânia são apresentadas nos Evangelhos como irmãs de Lázaro e habitantes da aldeia de Betânia, situada no sopé oriental do Monte das Oliveiras, a poucos quilômetros de Jerusalém, na estrada que desce para Jericó (Mc 11,1; Lc 19,29). A casa das duas irmãs funciona nos relatos evangélicos como lugar de repouso e acolhida de Jesus nos dias que antecedem a Paixão, e o Quarto Evangelho registra explicitamente que "Jesus amava Marta, sua irmã e Lázaro" (Jo 11,5).
Os evangelhos atribuem ao círculo de Betânia três cenas distintas. A primeira é o episódio doméstico narrado por Lucas 10,38-42: enquanto Marta se ocupa atarefada com o serviço da mesa, Maria senta-se aos pés do Senhor para escutá-lo. À queixa de Marta — "Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha no serviço?" — Jesus responde que Maria escolheu "a melhor parte, que não lhe será tirada". A passagem tornou-se, na tradição espiritual, o contraste clássico entre a vida ativa e a vida contemplativa. A segunda é o relato da ressurreição de Lázaro (Jo 11), no qual as duas irmãs, em momentos distintos, saem ao encontro de Jesus e expressam a mesma dor e a mesma confissão de fé: Marta formula a grande declaração "Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus" (Jo 11,27). A terceira cena é a unção em Betânia, pouco antes da Paixão, quando Maria unge os pés de Jesus com perfume precioso e os enxuga com os cabelos (Jo 12,1-11); o Quarto Evangelho interpreta o gesto como antecipação do sepultamento, enquanto nos sinóticos a mesma cena aparece em ambiente diferente. A crítica exegética observa que João reelabora a tradição sinótica da unção, atribuindo-lhe sentido marcadamente cristológico.
A figura de Marta está ligada a uma tradição hagiográfica posterior bem definida. O nome "Marta" translitera o grego Μαρθα, por sua vez derivado do aramaico מַרְתָּא, que significa "senhora" ou "mestra". Segundo a Legenda Aurea e antigas tradições do sul da França, após a dispersão dos primeiros discípulos os três irmãos de Betânia teriam ido pregar na Gália, e Marta é venerada como evangelizadora de Tarascon, onde a tradição situa seu túmulo; no Oriente, outra tradição a faz morrer em Lárnaca, no Chipre. Ela é invocada como padroeira dos cozinheiros, hoteleiros, empregados domésticos e das donas de casa.
No calendário litúrgico, a memória de Santa Marta era celebrada isoladamente em 29 de julho. Em 2 de fevereiro de 2021, o Papa Francisco determinou, por meio da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, que na mesma data fossem lembrados conjuntamente os três irmãos de Betânia — Marta, Maria e Lázaro —, reconhecendo neles o testemunho da hospitalidade e da amizade com Cristo. No Oriente, Santa Marta é recordada em 4 de junho.
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