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Tratado do Amor de Deus

Obra de São Francisco de Sales, publicada em 1616, sobre a natureza e os graus do amor a Deus — sua suma de teologia mística, complemento mais denso à "Introdução à Vida Devota".

Tratado do Amor de Deus
Autor
São Francisco de Sales
Publicação
1616
Gênero
Teologia espiritual

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O "Tratado do Amor de Deus" ("Traité de l'amour de Dieu") foi publicado em 1616 e é considerado a obra-prima teológica de São Francisco de Sales (1567-1622), bispo de Genebra. O autor começou a redigi-lo em 1615, aos 48 anos, como um segundo tratado sobre a oração e a vida espiritual, depois do sucesso da "Introdução à Vida Devota" (1609). Enquanto a "Introdução" se dirigia ao leitor leigo sob o nome fictício de Filoteia, o "Tratado" adota um registro mais teológico e sistemático e se endereça a um discípulo imaginário chamado Teótimo ("Théotime"), seguindo a distinção do próprio autor: "fala-se de um modo aos jovens aprendizes e de outro aos velhos companheiros". A obra foi escrita em parte para as irmãs da Visitação estabelecidas na Saboia e para sua grande amiga e cofundadora, Santa Joana de Chantal.

O livro compreende doze livros e procura, nas palavras do próprio prefácio, apresentar "sem ambages, sem arte e simplesmente, a história da geração, nascimento, progresso, declínio, operações, propriedades, benefícios e excelências do amor divino". Francisco de Sales parte da inclinação natural do homem — mesmo pecador — a amar Deus acima de todas as coisas, e descreve esse amor como atração livre e recíproca entre a alma e Deus, servindo-se de um rico repertório de imagens bíblicas: Deus como pai e senhor, esposo e amigo, com traços de mãe e de ama, sol cuja própria noite é revelação.

O ponto culminante do itinerário é a doutrina da "santa indiferença": no auge da união com Deus, depois de ter feito o que podia, a alma se torna inteiramente e santamente indiferente — mesmo, paradoxalmente, quanto aos seus próprios progressos na virtude —, abandonando-se por completo à vontade divina. Essa ênfase na indiferença e no puro amor fez do "Tratado" um texto decisivo para os debates espirituais do século XVII; a questão do "amor puro" reverberaria depois na controvérsia entre Bossuet e Fénelon, no fim do século, e a sombra de um possível quietismo rondaria a recepção da obra.

A intenção pastoral de Francisco de Sales era regenerar pela vida interior a fé dos católicos após as destruições das guerras de religião, respondendo às acusações protestantes de que o catolicismo se contentava com uma religião exterior. O papa Bento XVI descreveu o "Tratado" como "uma verdadeira suma, ao mesmo tempo uma fascinante obra literária". A obra conheceu difusão europeia: foi traduzida em flamengo por Guillaume van Aelst (Anvers, 1651, sob o título "De liefde Godts") e, em 1927, em espanhol por Lorenzo Alonso Rueda. No Brasil e em português, integra as edições da obra salesiana, sendo frequentemente apresentada como a face mística da mesma espiritualidade que a "Introdução à Vida Devota" propunha em forma prática.

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Fontes

  • François de Sales, "Traité de l'amour de Dieu", éd. du Cerf (prefácio e descrição dos doze livros)
  • Wikipedia (francês), verbete "Traité de l'amour de Dieu" (publicação em 1616; tradução flamenga de 1651; tradução espanhola de 1927)
  • Collegedesbernardins.fr, "Saint François de Sales: le Docteur de l'amour" (citação de Bento XVI sobre o Tratado como "verdadeira suma")
  • Estudo "La prédestination, querelle de mots ou querelle de choses?" (HAL-SHS), sobre o Tratado de 1616 e o contexto doutrinal da época

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