Vida Litúrgica
Os Ritos Finais da Missa
Conclusão breve da celebração — eventuais avisos, bênção final e despedida ("Ite, missa est") — que envia os fiéis à missão no mundo e da qual deriva o próprio nome "Missa".

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Os Ritos Finais encerram a Missa e compreendem, na forma ordinária do Rito Romano, três momentos: os eventuais avisos ao povo, a bênção final dada pelo sacerdote e a despedida ou despedimento. A Instrução Geral do Missal Romano (IGMR) descreve-os com precisão: terminada a oração depois da Comunhão, o diácono — ou o próprio sacerdote, se preferir — faz os avisos (n. 139); segue-se a bênção, à qual se pode acrescentar, em ocasiões especiais, uma fórmula solene ou a "oração sobre o povo"; logo após a bênção o sacerdote, de mãos juntas, diz: "Ide em paz e o Senhor vos acompanhe" (Ite, missa est), ao que todos respondem "Graças a Deus" (Deo gratias) (n. 168). Só então o sacerdote beija o altar em sinal de veneração, faz com os ministros uma inclinação profunda e retira-se. Quando a Missa é imediatamente seguida de outra ação litúrgica (por exemplo, a adoração e bênção do Santíssimo), omitem-se os ritos de conclusão, inclusive a despedida, para que o povo não se disperse (n. 170).
A fórmula "Ite, missa est" é uma das mais antigas do Rito Romano, já registrada no chamado Ordo I (século VI ou VII). Da palavra latina missa, presente nessa despedida, deriva o próprio substantivo "Missa": a hipótese mais aceita é a de que o termo eclesiástico missa provenha do missa desta fórmula (um emprego da forma falada tardia por missio, "envio", "dispensa"), o que implica que a palavra já existia antes do século VI, podendo remontar ao século III. Antes das reformas de 1962, nas Missas sem o Glória dizia-se, em lugar do Ite, missa est, a fórmula Benedicamus Domino ("Bendigamos ao Senhor"), e a resposta do povo era igualmente Deo gratias.
A história desses ritos conheceu variações notáveis. Na Idade Média, e sobretudo após o século XII, foram-se acrescentando elementos depois do Ite, missa est — uma oração privada do sacerdote, o Evangelho final ("último Evangelho", em geral o prólogo de João) —, de modo que a fórmula deixou de ser propriamente uma despedida e passou a integrar o corpo da Missa; tal arranjo foi oficialmente fixado no Missal promulgado após o Concílio de Trento por São Pio V (1570). O teólogo medieval Guillaume Durand (século XIII) chegou a propor que missa est equivalesse a "a missa está terminada" ou significasse que a Missa "é agora um fato cumprido". A reforma litúrgica promovida por Paulo VI, na esteira do Concílio Vaticano II, devolveu ao Ite, missa est sua função primitiva de despedida.
A brevidade do rito é intencional. Catecismo da Igreja Católica ensina que a Eucaristia é "fonte e ápice de toda a vida cristã" (cf. Lumen gentium, 11) e que os fiéis são enviados a levar ao mundo o que celebraram. O verbo ite ("ide") dá à despedida um caráter essencialmente missionário: a celebração termina projetando a assembleia na vida cotidiana, para que nela viva o mistério celebrado no altar. Com isso, o nome da própria Missa carrega em si a ideia de envio: participar da Eucaristia é deixar-se enviar.
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