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Báculo

Cajado pastoral com a extremidade superior curvada, insígnia do governo pastoral do bispo sobre sua diocese.

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O báculo é o cajado pastoral que, com a mitra, figura entre as principais insígnias do bispo. Consiste numa vara encimada por uma voluta curvada, cuja forma evoca o cajado do pastor de ovelhas: a parte curva serve para atrair e reconduzir a ovelha, e a extremidade reta, para afastar o lobo. Com o nome de lituus, uma vara curva semelhante era usada pelos áugures romanos; outros autores veem no báculo a adaptação das bengalas comuns, usadas como apoio em viagens e nas igrejas antes da introdução dos assentos.

O uso litúrgico do báculo provavelmente remonta ao século V; menciona-o uma carta do papa Celestino I (m. 432) aos bispos de Vienne e Narbonne. Embora tenham sido encontrados cajados nas catacumbas já do século IV, seu caráter cerimonial não está estabelecido. A Enciclopédia Católica aponta como primeira referência inequívoca ao báculo como instrumento litúrgico o cânon 27 do IV Concílio de Toledo (633); convém notar, contudo, que o texto atualmente conhecido desse cânon trata da profissão de castidade feita ao bispo por presbíteros e diáconos, de modo que a atribuição deve ser tomada com cautela. Segundo a tradição litúrgica, o uso como signo episcopal situa-se no século IV e sua adoção por abades no século V.

O báculo é conferido aos bispos em sua consagração e aos abades mitrados na sua investidura, sendo usado nas funções pontificais solenes — por direito nas próprias dioceses e por privilégio fora delas. Traz-se nas procissões, na leitura do Evangelho e na administração dos sacramentos, desde que não haja imposição das mãos. O bispo leva-o com a curvatura voltada para o povo; os prelados inferiores sustentam-no com a cabeça invertida, e os báculos dos abades são menores que os episcopais e cobertos com um véu quando o bispo está presente.

O Romano Pontífice não faz uso do báculo comum. Inocêncio III, no século XIII, escreve no De sacro altaris mysterio: 'Romanus Pontifex pastorali virga non utitur' ('O Pontífice Romano não usa bastão pastoral'). No lugar dele, o papa usa a férula, bastão encimado por uma cruz, no lugar da voluta. O próprio uso da férula nunca fez parte integrante da liturgia papal, salvo em ocasiões determinadas, como a abertura da Porta Santa, em que o papa bate três vezes à porta, ou a consagração de igrejas, para traçar o alfabeto latino e grego no solo. A férula moderna remonta à usada por Paulo VI (peça de Lello Scorzelli) e depois retomada em formas de inspiração mais antiga por Bento XVI a partir de 2008, com referência à férula de Pio IX.

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Fontes

  • Enciclopédia Católica, verbete 'Crosier' (báculo pastoral)
  • Inocêncio III, De sacro altaris mysterio ('Romanus Pontifex pastorali virga non utitur')
  • Vigésimo sétimo cânon atribuído ao IV Concílio de Toledo (633); The Presbyters Project, registro ER 439
  • Papa Celestino I, carta aos bispos de Vienne e Narbonne (c. 432)
  • Wikimedia Commons, File:French - Crozier with the Annunciation - Walters 44121 - Profile.jpg (Walters Art Museum, domínio público)

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