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Catecismo · Parte 33

Os Dez Mandamentos: o segundo mandamento

O comentário do Catecismo ao mandamento sobre o nome de Deus (nn. 2142-2167): o respeito ao nome santo, o juramento reto e o voto, e a proibição da blasfêmia, do perjúrio e do uso mágico do nome divino.

Os Dez Mandamentos: o segundo mandamento
Parte
33
Parágrafos
CIC 2142-2167

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O segundo mandamento — «Não pronunciarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão» (Ex 20,7; Dt 5,11) — pertence, como o primeiro, ao âmbito da virtude da religião e regula de modo particular o uso que fazemos da palavra nas coisas santas (n. 2142). O Catecismo abre o comentário lembrando que, entre todas as palavras da Revelação, existe uma singular: o próprio nome de Deus, que Ele confia aos que nele creem e revela no seu mistério pessoal. O dom do nome pertence à ordem da confiança e da intimidade; por isso o homem não pode abusar dele, mas deve guardá-lo na memória «num silêncio de adoração amorosa» e usá-lo somente para bendizer, louvar e glorificar (n. 2143).

O texto recorda que, na Antiga Aliança, o nome divino era cercado de temor: revelado a Moisés como o tetragrama impronunciável, era substituído na leitura pelo termo hebraico Adonai («meu Senhor») e, na versão grega dos Setenta, traduzido por Kyrios («Senhor»). Esse mesmo título passa ao Novo Testamento aplicado a Jesus, cujo nome significa que o próprio Deus está presente na pessoa do Filho feito homem: «não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos» (At 4,12). O fiel deve, por isso, dar testemunho do nome do Senhor, confessando a sua fé sem ceder ao medo, e a pregação e a catequese devem estar compenetradas de adoração e respeito pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo (n. 2145).

O Catecismo distingue, então, os usos retos dos abusos. Proíbe-se todo uso inconveniente do nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e dos santos (n. 2146). As promessas feitas em nome de Deus empenham a honra, a fidelidade e a veracidade divinas, e devem, em justiça, ser cumpridas: ser-lhes infiel é fazer, de certo modo, de Deus um mentiroso (n. 2147). O juramento — invocar Deus como testemunha da verdade (Dt 6,13) — é lícito quando prestado com verdade, discernimento e justiça, seguindo o exemplo de São Paulo, mas a santidade do nome divino exige que não se recorra a ele por questões fúteis (nn. 2150, 2154-2155). O voto, promessa deliberada e livre feita a Deus, obriga igualmente em virtude da fidelidade divina.

A parte final trata dos pecados contra este mandamento. A blasfêmia — usar de modo injurioso o nome de Deus, de Cristo, da Virgem e dos santos, ou falar mal de Deus interior ou exteriormente — «é contrária ao respeito devido a Deus e ao seu santo nome» e é, em si mesma, pecado grave (nn. 2148, 2162). Estende-se às palavras contra a Igreja e as coisas sagradas e, de modo particular, ao uso do nome de Deus para encobrir crimes, reduzir povos à servidão, torturar ou matar. O juramento falso invoca Deus como testemunha de uma mentira, e o perjúrio é falta grave contra o Senhor, sempre fiel às suas promessas (n. 2163). São também condenadas as «juras» que invocam o nome de Deus sem intenção de blasfêmia e o uso mágico do nome divino (n. 2149).

Por fim, o Catecismo articula o mandamento com o nome cristão: o Batismo é conferido «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28,19), e o cristão recebe na Igreja o seu nome, de preferência o de um santo, que lhe oferece um modelo de caridade e um intercessor (n. 2156). O nome de cada homem é sagrado, porque é a imagem da pessoa (n. 2158), e o sinal da cruz, «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo», consagra o dia à glória de Deus (n. 2157). O resumo do Catecismo sintetiza tudo na aclamação do Salmo 8: «Senhor, nosso Deus, como é admirável o vosso nome em toda a terra!» (n. 2160).

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Fontes

  • Catecismo da Igreja Católica, Terceira Parte, Seção II, Capítulo I, Artigo 2, nn. 2142-2167 (texto oficial em vatican.va)
  • Ex 20,7; Dt 5,11; Dt 6,13; At 4,12; Tg 2,7
  • Catecismo da Igreja Católica nn. 432-435 (o nome de Jesus)
  • Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes 22 (citado no n. 2799 e na tradição dos comentários ao nome)
  • João Henrique Newman, Parochial and Plain Sermons, v. 5, Sermão 2 (citado no n. 2144)
  • Santo Inácio de Loyola, Exercícios Espirituais, 38 (citado no n. 2164)

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